UnB, Lab Mulheres e IAB-DF realizam Concurso arquitetônico para a Casa da Mulher Indígena (CAMI)

Edital lançado em 26 de janeiro receberá ideias de projetos adaptados aos seis biomas brasileiros

Até 19 de março, escritórios de arquitetura de todo o país podem apresentar projetos para a Casa da Mulher Indígena (CAMI). O Concurso Público, requerido pelo Ministérios das Mulheres (MMulheres), visa à criação de espaços adequados e humanizados para acolher integrantes dos povos indígenas vítimas da violência de gênero. É resultado de um convênio estabelecido pelo Ministério com o Laboratório Mulheres, Arquitetura e Território – LAB Mulheres, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB), e será organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal. O  edital foi lançado no dia 26 de janeiro, durante cerimônia no Centro de Convivência Multicultural dos Povos Indígenas da Universidade de Brasília (MALOCA/UnB), em Brasília.

O objeto do Concurso é uma Proposta  de Ideias de Arquitetura em nível de Estudo Preliminar. Poderão formalizar propostas profissionais regularmente inscritos no CAU. A organização recomenda a participação de  mulheres arquitetas e urbanistas nas equipes, especialmente na função de responsáveis técnicas. Pelo menos uma mulher indígena também deverá compor o coletivo, uma exigência que visa valorizar o conhecimento e a experiência e assegurar trabalhos alinhados às culturas indígenas e suas especificidades. O programa de necessidade terá tradução para o idioma Yanomami.

Lançamento do concurso na MALOCA/UnB

A equipe autora da proposta vencedora assinará o contrato para desenvolvimento dos Projetos Executivos com a Finatec no valor de R$ 772.869,47. As segunda e terceira colocadas também receberão premiação em dinheiro no valor de R$ 30.000,00 e R$15.000,00, respectivamente.

O Concurso é o primeiro organizado pelo IAB-DF no âmbito de um Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado entre o MMulheres e a UnB. Além de realizar o Concurso, o LAB Mulheres está desenvolvendo vasta pesquisa acadêmica científica sobre a Casa da Mulher Indígena, ampliando a profundidade e impacto da iniciativa.

A arquiteta e urbanista Luiza Dias Coelho, integrante da equipe organizadora do concurso pelo IAB-DF, destacou as inovações do Edital, como a participação de mulheres indígenas nas equipes e a adaptação das propostas para os biomas brasileiros. “É motivo de muito orgulho e uma honra para o IAB-DF fazer parte da criação desse equipamento tão necessário e que, quando construído, será um marco na nossa história. Um marco para as mulheres e para os povos originários que tanto precisam desses espaços de apoio de equipamentos públicos muitas vezes negados”, afirmou.

Uma casa para fazer frente à violência de gênero contra indígenas

Conforme o mais recente relatório ‘Violência contra os Povos Indígenas no Brasil’, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário em 2024, 29 mulheres indígenas foram assassinadas em 2023. Também foram registrados 23 casos de violência sexual contra crianças, adolescentes e mulheres indígenas, além de tentativas de feminicídio de forma “brutal”.

A criação da Casa da Mulher Indígena esteve entre as reivindicações expressas pelas participantes do Acampamento Terra Livre 2025 no manifesto Carta das Originárias da Terra, publicado pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).

Com o concurso, o MMulheres deseja assegurar espaços que respeitem as suas particularidades culturais, sociais e ambientais dos povos indígenas. As propostas concebidas para o Concurso também deverão considerar a adaptação para biomas brasileiros, propondo ambientes adequados para o acolhimento das mulheres indígenas e assegurando as características plurais de seus povos.

Para idealização das diretrizes e a elaboração participativa de um programa de necessidades alinhado com a proposta, o Lab Mulheres, em conjunto com o MMulheres e apoio da ANMIGA, promoveu uma série de oficinas com mulheres indígenas de todo o país para desenvolvimento do programa de necessidades da CAMI.


Contatos:
Luiza Dias Coelho – IAB-DF
61 8452-4280

Maribel Aliaga – LabMulheres/UnB
61 9393-5252

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