Em um cenário onde as Emergências Climáticas ampliam as desigualdades, o Programa de Proteção Ambiental e Melhorias Urbanas da Izidora surge como referência de intervenção pública.
Localizada em Belo Horizonte, a Região da Izidora concentra um dos maiores conflitos urbanos do país. Formada pelas ocupações Esperança, Vitória, Helena Greco e Rosa Leão, concentra assentamentos vulneráveis em área de alta fragilidade e relevância ambiental, com habitações precárias, carência de infraestrutura, invasão de áreas de preservação e elevado risco geológico.
Desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte em parceria com o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e a ONU-Habitat, com projetos do consórcio Praxis-Urbe-Horizontes, o PRO-Izidora vai além da urbanização convencional, propondo um modelo de ocupação alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A primeira fase abrange a urbanização e reassentamento das ocupações Helena Greco e Rosa Leão; a segunda, recém iniciada, inclui a urbanização das ocupações Vitória e Esperança.
Infraestrutura como base da Vida
Em um território acidentado, morar sem risco é a diretriz central. O projeto enfrenta o desafio geotécnico com soluções híbridas: laudos geotécnicos embasaram uso de cortinas atirantadas e contenções em estacas, integradas a técnicas de bioengenharia como solo grampeado verde, terraceamento e revegetação. Essas soluções viabilizam a construção de habitações e a permanência da comunidade em seu território de origem.
Soluções baseadas na natureza
A resposta climática se evidencia no caminho das águas. O projeto adota SBNs como infraestrutura primária de drenagem: biovaletas, bolsões de chuva e jardins de chuva. As SBNs reduzem o escoamento superficial, mitigando o risco de enchentes e protegendo as APPs. Aliadas à ampla arborização, tornam-se elementos paisagísticos que criam refúgios climáticos, qualificam o espaço público e reduzem as ilhas de calor.
O caminho das pessoas
A dimensão social da intervenção, alinhada à Nova Agenda Urbana, materializa-se no Caminho das Pessoas, que redefine as vias como espaços de convivência e mobilidade ativa. As rotas prioritárias para crianças e idosos recebem equipamentos lúdicos e mobiliário de descanso, assegurando percursos seguros e acessíveis sob a diretriz de “não deixar ninguém para trás”. Os Espaços Livres de Uso Público-ELUPs, como o Largo Marielle Franco e o Mirante/Quadras, tornam-se centros de identidade e vida comunitária.
Habitação digna
A complexidade topográfica exigiu três tipos habitacionais: Encosta, Vertical e Unifamiliar.
O Tipo de Encosta une arquitetura e engenharia geotécnica, aproveitando a declividade para criar um edifício escalonado. Cada unidade possui quintal privativo, planta flexível e incremental. O sistema construtivo combina concreto armado e blocos de concreto celular autoclavado, solução com alto desempenho térmico/acústico.
O Tipo Vertical oferece variações com apartamentos ou comércio no térreo, além de circulação por passarelas coletivas que formam vazios ventilados. As passarelas, ladeadas por telas metálicas com jardineiras e trepadeiras, integram vegetação, sombreamento e privacidade. As unidades elevadas têm varandas direcionadas para a paisagem, e as térreas têm quintais, reforçando a conexão com o solo.
O Tipo Unifamiliar foi pensado como módulo replicável para lotes de 125m², passível de expansão horizontal e vertical.
Os projetos seguem estudos bioclimáticos e adotam estratégias passivas, como ventilação cruzada, inércia térmica e resfriamento evaporativo, garantindo conforto com baixo consumo energético e comprovando a viabilidade de uma arquitetura eficiente para habitação social.
O PRO-IZIDORA mostra que a resposta às emergências em assentamentos precários é técnica e social, costurando engenharia de risco, infraestrutura verde e arquitetura bioclimática para fortalecer a coesão comunitária e afirmar a possibilidade de um futuro urbano justo, digno e resiliente.

Urbanização da Região da Izidora

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/MG da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo III – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades

Cidade/UF: MG
Ano do projeto: 2022
Ano de conclusão da obra: 2026

Eixo / Categoria: Eixo III – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades / Categoria III.2 – Subcategoria III.2.1 – Projetos e planos de desenho urbano: Propostas para áreas públicas, bairros, conjuntos urbanos e sistemas viários.
Modalidade: Projeto com execução ou com previsão de execução 

Proponente:

Horizontes Arquitetura e Urbanismo
www.horizontesarquitetura.com.br

Autoria:
Gabriel Velloso da Rocha Pereira
Iris Dias Resende Pereira
Luiz Felipe de Farias
Marcelo Palhares Santiago
Silvia Guastaferro Magalhães

Demais membros da equipe principal:
Carolina Boaventura, Maria Fernanda Couto, Pedro Henrique Fonseca, Rodrigo Rocha e Thaís Félix (Arquitetos co-autores)

André Miranda, Bruno Lopes, Janine Queiroga, Mariana Conforti, Matheus Carvalho e Paula Braga (Arquitetos Colaboradores)

Arícia Storch, Laura Soares, Maria Antônia Palhares, Maria Luiza Souza, Maria Regina Duarte, Vittoria Buzzi, Thaís Morandi, (estagiários de arquitetura)

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Carlos Magno (Projetos de rede elétrica, iluminação pública, instalações elétricas prediais e telefonia)
Cristiane Coutinho (Prevenção e Combate a Incêndio)
Marcelo Karez (Projetos de estrutura de concreto, fundações e contenções)
Victor César de Melo (Hidrossanitário)
Tiago Casini 3D (Maquetes eletrônicas gerais e praças)
Paulo Fontes (Maquetes eletrônicas prédios e casas)
Pedro Medeiros (Pós tratamento de imagens)

Crédito das imagens:
Tiago Casini 3D (Maquetes eletrônicas gerais e praças)
Paulo Fontes (Maquetes eletrônicas prédios e casas)