O projeto Território-Parque parte do desafio de reestabelecer e criar condições urbanas, arquitetônicas e paisagísticas para que a comunidade de Córrego do Feijão — principal impactada pelo rompimento da barragem em janeiro de 2019 — tenha condições de permanência e reconexão com o lugar de sua origem e história.A expressão Território-Parque anuncia o propósito de articular o espaço urbano à paisagem em que está inserido, fortalecendo a relação das pessoas com a natureza. A estratégia de projeto orienta-se por um vínculo socioambiental presente em cada solução adotada, com ênfase na universalização do saneamento básico e na busca por alternativas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e destinação adequada de resíduos sólidos.As propostas buscam atender aos valores e expectativas da comunidade, a partir de uma série de encontros promovidos pelo Instituto Kairós, responsável pela integração socioambiental das ações. Para ampliar essa visão, o projeto contou com a participação de uma equipe multidisciplinar, envolvendo arquitetura, urbanismo, biologia, saneamento, paisagismo, design, iluminação, comunicação e diversas especialidades da engenharia.O Território-Parque é composto por quatro grandes áreas contíguas e integradas — Área Central, Campo de Futebol, Parque Ecológico e Área Simbólica —, que guardam suas particularidades e se articulam de forma complementar.
Área Central
Praça 25 de Janeiro
Antes marcada pelo solo exposto e pela ausência de vegetação, a praça central foi transformada em um espaço de convivência e paisagem. A área conhecida como Bosque, resultado de ocupações espontâneas, inspirou a proposta arquitetônica e paisagística implantada. O Bosque foi ampliado após o redesenho da via de acesso ao vilarejo, abrindo espaço para jardins com espécies medicinais e ornamentais características da região e presentes nos quintais das casas locais.As antigas caixas d’água deram lugar a um reservatório com capacidade de 60 m³, suficiente para abastecer toda a comunidade. Ao redor dele, foi criado o Mirante Três Coqueiros, um acesso helicoidal até o topo que permite uma ampla visão do território em todas as direções.Outros elementos compõem a praça: a pérgula circular, que articula a praça ao edifício do centro de cultura e artesanato; a esplanada com colinas gramadas; e o Mercado Central Ipê-amarelo, instalado na casa de adobe existente e ampliado por dois novos blocos que abrigam espaços de alimentação e uma cozinha comunitária.
Mercado Central Ipê-amarelo
O mercado comunitário abriga espaços de exposição e venda de alimentos e produtos desenvolvidos pelos moradores, na Casa de Adobe restaurada.Duas novas edificações com fechamento em cobogós cerâmicos — elemento tradicional dos mercados mineiros — acolhem produções de padaria, confeitaria, pizzaria e cozinha geral comunitária, todos de gestão local. O conjunto conforma uma pequena vila, envolta por um jardim que valoriza espécies regionais, com destaque para os tamboris e suas sombras generosas, criando um ambiente acolhedor para moradores e visitantes.
Centro de Cultura e Artesanato Laudelina Marcondes
Pensado como uma extensão natural da praça, o centro está implantado em cota próxima à rua inferior, permitindo que sua cobertura funcione como grande terraço nivelado à praça. O terreno, com suave declividade, orientou a criação de patamares e pátios em diferentes níveis, que abrigam atividades ao ar livre e sob as árvores preservadas — entre elas o abacateiro que se tornou símbolo local.A edificação abriga espaços para oficinas, atividades culturais, biblioteca comunitária, sala de informática e administração da Associação Comunitária.
O Território-Parque propõe ainda redes de coleta e tratamento de efluentes, com soluções ambientalmente eficientes e de baixo custo, como nascentes construídas e jardins filtrantes, considerando a topografia e os valores paisagísticos locais.
Território-Parque – Área Central
🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/MG da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo III – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades
Cidade/UF: MG
Ano do projeto: 2022
Ano de conclusão da obra: 2023
Eixo / Categoria: Eixo III – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades / Categoria III.1 – Arquitetura da Paisagem – Obras construídas: Projetos de paisagismo de áreas públicas ou privadas concluídos, incluindo praças, parques e jardins.
Modalidade: Projeto com obra executada
Proponente:
MACh Arquitetos
Connatural Arquitectura y Paisaje
Autoria:
Fernando Maculan, Mariza Machado
Luciana Czechmeister (MACh Arquitetos)
Connatural Arquitectura y Paisaje
Demais membros da equipe principal:
Ficha Técnica
Arquitetura
MACh arquitetos + Connatural Arquitectura y Paisaje
Arquitetos responsáveis:
Fernando Maculan, Mariza Machado e Luciana Czechmeister (MACh Arquitetos)
Edgar Mazo e Sebastián Mejía (Connatural Arquitectura y Paisaje)
MACh Arquitetos
Diretores
Fernando Maculan
Mariza Machado
Luciana Czechmeister
Rafael Yanni
Equipe de arquitetura
Anna Lobato
Cássio Lopes
Giovanna Camisassa
João Pedro Pujoni
Lígia Baracho
Luiza Salomé
Maria Soalheiro
Marina Vilela
Ricardo Lobato
Estagiários
Ana Urbano
Iara Paraízo
Colaboradores
Amanda Castilho
Marcos Franchini
Mateus Castilho
Natália Bom Conselho
Connatural Arquitectura y Paisaje
Diretores
Edgar Mazo
Sebastián Mejía
Equipe de arquitetura
Daniela Suárez
Erica Martínez
Juan Manuel Bernal
Milena Ruiz
Natalia Villada
Paula Palacio
Santiago Hurtado
Santiago Restrepo
Estagiários
Susana Franco
Julián Giraldo
Paisagismo
Felipe Fontes Arquiteto Paisagismo Ltda
Iluminação
Atiaîa Lighting Design
Saneamento e Sustentabilidade
Inovativo Soluções Sustentáveis
Design Gráfico
Hardy Design
Restauração
Lire Arquitetura e Restauração
Gestão de projetos
Facury Gestão de Processos
Diretor
Jorge Facury
Arquiteta
Carolina Almeida
Colaboração
Instituto Kairós
Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Não informado pelo autor
Crédito das imagens:
Leonardo Finotti
