Inaugurado em 1977, o Bosque dos Namorados localiza-se no bairro de Tirol, em Natal/RN, e constitui uma das principais portas de entrada do Parque Estadual Dunas do Natal “Jornalista Luiz Maria Alves”, a primeira unidade de conservação do estado e uma das maiores reservas de Mata Atlântica urbana do país, com cerca de 1.172 hectares. O Bosque abriga expressiva diversidade de espécies nativas, trilhas ecológicas, áreas de lazer e infraestrutura voltada à pesquisa e à educação ambiental.
Embora já funcione como espaço de integração entre natureza, cultura e cidade, esse equipamento apresenta potencial para um uso mais qualificado. A modernização das infraestruturas, a reativação de áreas ociosas e o enriquecimento da vegetação, com a substituição gradual de espécies exóticas, representam oportunidades para ampliar sua relevância ecológica e social. Inserida nesse contexto, a proposta foi desenvolvida a convite do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), com base em levantamento técnico que envolveu questionários aplicados a usuários e equipe gestora, registros fotográficos e análise da infraestrutura e da vegetação. As informações obtidas orientaram diretrizes voltadas à funcionalidade, sustentabilidade e integração ao plano de manejo da Unidade de Conservação, com foco na regeneração ambiental e no fortalecimento da educação ecológica.
O masterplan organiza-se em quatro eixos: regeneração, educação, pesquisa e requalificação. O eixo regeneração compreende ações de recuperação ambiental e reintrodução de espécies nativas em áreas degradadas, além da transição das zonas ajardinadas para um paisagismo de base ecológica, substituindo gradualmente espécies exóticas conforme o manejo da Unidade. O eixo educação reforça práticas participativas e experiências imersivas que aproximam os visitantes dos processos ecológicos e da biodiversidade. Trilhas interpretativas, jardins temáticos, o viveiro e áreas de observação foram requalificados para estimular o aprendizado e o engajamento comunitário. O eixo pesquisa amplia as estruturas voltadas ao monitoramento da fauna, flora e processos ecossistêmicos, apoiando iniciativas de conservação e uso sustentável. Já o eixo requalificação aprimora a infraestrutura existente, priorizando acessibilidade, segurança, eficiência dos fluxos e integração com a paisagem, mediante soluções de baixo impacto e alta durabilidade.
As soluções arquitetônico-paisagísticas articulam funcionalidade, sustentabilidade e educação ambiental, promovendo regeneração ecológica e uso público qualificado. Inspirada na biomimética, a Arena Tatu foi concebida com estrutura metálica modular, tijolos ecológicos prensados, piso drenante e cobertura termoacústica, garantindo conforto e eficiência construtiva. O antigo lago transforma-se em lago biológico, com filtragem natural e criação de micro-habitats que fortalecem a conectividade ecológica e o equilíbrio hídrico. O viveiro abriga atividades de conservação e oficinas de produção de mudas, enquanto o Jardim Temático da Mata Atlântica reúne espécies ameaçadas em trilha suspensa, promovendo sensibilização e aprendizado imersivo. Ao reconhecer o Bosque como território educativo, a proposta estimula experiências lúdicas que favorecem o aprendizado por meio do contato direto com a natureza.
Grande parte das intervenções mencionadas – como o lago biológico, o manejo de águas pluviais e as ações de regeneração – fundamenta-se em Soluções Baseadas na Natureza (SbN), voltadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Essas estratégias reafirmam o Bosque como infraestrutura ecológica ativa, capaz de preservar ecossistemas, ampliar a biodiversidade, reduzir impactos sobre solo e água e consolidar o parque como espaço público mais inclusivo, educativo e resiliente, alinhando-se ao tema transversal “Emergências Climáticas” do IAB 2025.Inserida em uma planície costeira, Baía Formosa é uma praia do litoral sul no estado do Rio Grande do Norte. Aflora uma exuberante beleza natural circundada por lagoas, dunas de areia e reserva de mata atlântica. A origem do seu território foi dada por um núcleo de pescadores e hoje tornou-se um destino procurado principalmente para quem busca a prática do surf no Nordeste.
Sem excessos, tudo que precisávamos era desenhar um espaço efêmero para abrigar a imobiliária local responsável pelas vendas do empreendimento residencial. Ao estudarmos a essência dos abrigos praianos nos deparamos com construções assertivas – sob a luz técnica da racionalização construtiva – em ensinamentos sobre suas técnicas e métodos construtivos.
Aliar arte, técnica e baixo custo resultou em uma edificação despida de vaidades. Dessa forma, as paredes são brancas e caiadas, piso em cimento queimado, janelas com venezianas em madeira pintadas na cor azul revelam leveza e afeto, principalmente pela discrição de seu desenho. Madeira, tijolo, areia e cimento materializados em uma pequena edificação com 60m² construída pela mão de obra local.
Weimer, no livro Arquitetura Popular Brasileira, defende que o termo popular é melhor aplicado “às manifestações construtivas do povo”. Assim, por meio de uma construção simples e honesta, o estande de vendas do loteamento foge da previsibilidade praticada pelo mercado imobiliário e visa resgatar, através da arquitetura, o sentimento de pertencimento de uma casa genuína de pescadores.

Parque das Dunas

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/PB da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 3 – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades

Cidade/UF: PB
Ano do projeto: 2025
Ano de conclusão da obra: 2025

Eixo / Categoria: Eixo 3 / Categoria única
Modalidade: Trabalho fruto de estudo, proposta conceitual ou plano que não será executado

Proponente:

Quintau Arquitetura Paisagística
quintau.com.br

Autoria:
Thiago Frizon; Fernanda Rabelo

Demais membros da equipe principal:
Thiago Brito (Arquiteto Colaborador)
Artur Souto (Arquiteto Colaborador)
Laura Nomizo (Estudante – Estagiária de Arquitetura)
Hélika Limeira (Estudante – Estagiária de Arquitetura)
Heloisa Farache (Estudante – Estagiária de Arquitetura)

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Idema Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (IDEMA)

Crédito das imagens:
Fernanda Lorena Rabelo de Oliveira