Lagoa Itatiaia: “Lugar de Vida”
🏆 Vencedor da Etapa Departamental do IAB/MS da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo V – Práticas Pedagógicas
Categoria do IAB/MS: Categoria única – Práticas Pedagógicas
O trabalho Entre os Guajajara propõe uma ruptura epistemológica no campo da Arquitetura e Urbanismo ao reconhecer o povo Tenetehar Guajajara como sujeito ativo de conhecimento e não como objeto de estudo. Desenvolvida a partir de vivências na Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, a pesquisa desloca o olhar arquitetônico tradicional ao compreender o território como espaço de vida, espiritualidade, memória e resistência, em oposição à noção eurocêntrica de território como mera delimitação geográfico-econômica.
Inspirado em debates contemporâneos sobre pluralidade epistêmica e justiça territorial, o trabalho dialoga com autores como Arturo Escobar e Immanuel Wallerstein para tensionar os limites da racionalidade moderna e da lógica capitalista frente às formas autônomas de organização indígena. A Terra Indígena Araribóia é tratada não como cenário, mas como campo de escuta e convivência, marcado por ameaças como o desmatamento, a expansão agrícola e os conflitos fundiários.
A metodologia adotada é qualitativa, sensível e ética, baseada em vivências diretas com os Guajajara, incluindo conversas abertas, caminhadas coletivas, registros fotográficos e desenhos autorais. Todo o processo foi conduzido a partir do consentimento livre, prévio e informado, priorizando o cuidado, a reciprocidade e a devolução simbólica do conhecimento produzido.
Mais do que gerar um produto acadêmico, a pesquisa busca abrir fissuras na linguagem colonizada da arquitetura, criando espaço para outras formas de pensar, habitar e construir o território. Ao optar por “estar com” e não “falar sobre”, o trabalho afirma uma prática pedagógica comprometida com a escuta, a coexistência de epistemes e a valorização dos saberes originários, contribuindo para uma arquitetura eticamente implicada e politicamente situada.
Texto elaborado a partir das informações fornecidas pelo proponente.
Maria Lúcia Torrecilha (in memoriam)
@marialuciatorrecilha
Victoria Mauricio Delvizio
@vic.delvizio
Campo Grande (MS)
Cidade do projeto:
Terra Indígena Araribóia (MA)
Ano de início das atividades:
2025
Ano de términodas atividades:
2025
Equipe e colaboradores:
Felipe Buller Bertuzzi (arquiteto palestrante);
Amábile Delarissa, Ana Bárbara Moura Fernandes, Ana Carolina Machado França, Ana Julia Ito, Ana Luiza Domingos, André Luiz Assis Teixeira, Apollo de Arruda Oliveira, Arielle Mariana Rocha da Cunha, Beatriz Lobo Batista de Deus, Beatriz Souza da Costa, Bianca Martins Caldas, Bruna Lorenzzon, Bruna Oshiro, Bruno Salviano, Danielly Midori Tateishi, Davi Dagnes Santos Lino, Édiles Maiker Rezende Carvalho, Emiliana Alves dos Santos Luz, Estela Pinho Alves, Fernanda Hikari Mifune, Fernanda Omine, Frank Aguilera Aguiar, Gabriela Holanda de Aquino, Gabriela Sorroches Puhl, Gabriella Silva Machado, Giovana Santa Catharina Della Santa, Gustavo Ferreira Lima, Indiara Dutra Borba Resende da Silva, Isis Gregolin Sanchez, João Pedro Alencar da Silva, Larissa de Holanda Santos, Luana Bergamini Cordeiro, Mariana Vitória Neves Botelho, Nathália Marques Tiago de Oliveira, Otniel Sousa, Rayza Gonçalves Rodrigues, Robson Luiz Matiussi Junior, Samara Menin, Samara Sousa Teles, Sofia Acosta Altrão, Thiago Mendonça de Alencar, Victoria Yumi Gonda Molin, Vitória Mesquita Carvalho e Yasmim de Oliveira Justi
(estudantes de Arquitetura e Urbanismo da UFMS)
Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS
(instituição idealizadora, promotora e empregadora)
Crédito das imagens:
Acervo próprio
