Uma equipe multidisciplinar, dirigida pela UNESCO, conduziu o Projeto de Restauração e Recuperação Paisagística dos Jardins Históricos do Paço de São Cristóvão. O objetivo era conservar, requalificar e dar novos significados a este patrimônio nacional. O trabalho foi dividido em três etapas principais: diagnóstico e análise; identificação de estratégias de restauro e elaboração do projeto básico; e desenvolvimento dos projetos pré-executivo e executivo.
O restauro integra valores culturais, naturais, materiais, imateriais e paisagísticos. A proposta é que os jardins expressem e acolham esses valores, testemunhando a história do local através da recuperação dos elementos existentes e da introdução de intervenções contemporâneas. Para isso, os jardins foram organizados em quatro áreas (Jardim das Princesas, Jardim terraço, Jardim Chafariz, Jardim anexo) estruturadas em torno de quatro eixos estratégicos.
Sustentabilidade: Os jardins são vistos como uma infraestrutura verde, que gerencia águas, promove a biodiversidade e combate as mudanças climáticas.
Passado e Memória: O projeto reconhece as narrativas e personagens que construíram o patrimônio, como paisagistas e naturalistas. Períodos históricos são rememorados com espécies vegetais representativas e informações via QR Code.
Futuro: Os jardins serão uma plataforma de inovação, integrada aos circuitos expositivos do futuro Museu.
Ruínas: Paralelamente ao restauro de estruturas, valoriza-se a vida espontânea (vegetais ruderais, musgos) que se instalou nas fendas da cantaria ao longo do tempo.
Detalhamento das Áreas:
Jardim das Princesas: agora busca resgatar seu valor histórico e abrir-se ao público. A ampliação dos canteiros, dedicada ao plantio de espécies características dos jardins domésticos da época, é acompanhada por bancos que evocam as antigas namoradeiras, criando espaços íntimos de convivência. O acesso ao jardim será reimaginado para recriar o túnel de bambu presente em diversas representações iconográcas, proporcionando aos visitantes uma introdução ao jardim histórico. Por, um banco circular oferecerá um local de descanso e permanência para grupos, permitindo que os visitantes apreciem as vistas dos embrechados restaurados e as belezas arquitetônicas do Paço
Jardim Terraço (JT): Localizado na frente do Paço, retoma as geometrias históricas dos canteiros com uma linguagem contemporânea. Será um espaço de acesso ao museu, com áreas de estar e a presença da água, relembrando um antigo chafariz.
Jardim Chafariz (JC): Este jardim, que sobreviveu quase intacto ao incêndio, manterá sua geometria original. Os caminhos serão ajustados para garantir acessibilidade, e bancos ao redor do chafariz incentivarão a interação. Áreas de estar íntimas, cercadas por vegetação da Mata Atlântica, criarão ambientes de contemplação.
Jardim Anexo (JA): Diferente dos outros, será um espaço novo, localizado acima da nova edificação do Anexo do Museu. Será um jardim contemporâneo que dialoga com os desafios climáticos e ecológicos, utilizando espécies nativas e ruderais resistentes à seca e ao calor, integradas à pavimentação histórica, que será mantida e adaptada para acessibilidade

Jardins do Museu Nacional

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/RJ da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 3 – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades

Cidade/UF: RJ
Ano do projeto: 2021
Ano de conclusão da obra: Não informado pelo autor

Eixo / Categoria: Eixo 3 / Insfraestrutura verde de intervenção local
Modalidade: Trabalho fruto de estudo, proposta conceitual ou plano que não será executado

Proponente:

EMBYA – paisagens e ecossistemas
https://www.embya.com.br/

Autoria:
Duarte Vaz, Elena Geppetti, Bruno Amadei, Isadora Riker, Victor Hugo Fernandes, Mylenna Linhares.

Demais membros da equipe principal:
Duarte Vaz Guedes e Silva, Bruno Amadei, Elena
Geppetti, Isadora Riker, Victor Huggo Fernandes e Mylenna Linhares(arquitetos paisagistas)

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Márcia Dantas Braga (restauro), Cristiane Magalhães
(pesquisa documental), Carlos Fernando Delphim (arquiteto
– assessor estratégico), José Antonio Hoyuela (consultor no
projeto de paisagismo e paisagens patrimoniais) e João
Rafael Almeida e Marins (diagnóstico de fauna)

Crédito das imagens:
embya