O projeto integra ensino, pesquisa e extensão em assessoria técnica participativa em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo para o planejamento territorial comunitário. Os multimeios da abordagem socioecológica integram saberes populares e científicos, e a interdependência de fatores humanos, físicos e ecológicos. Entre 2024-2025, o enfoque foi nas ações de fortalecimento da Associação de Pequenos Agricultores Nova Esperança de Coqueiro de Monte Gordo (APANE), em Camaçari. A comunidade abrange agricultores e cocadeiras, em um território de agricultura familiar situado em áreas de transição rural-urbana do Litoral Norte da Bahia, sob a pressão da especulação imobiliária. A problemática socioambiental exige melhorias no habitar, abrangendo não apenas a unidade habitacional, mas sua inserção territorial ligada ao saneamento, mobilidade, acesso à água potável, espaços públicos, áreas verdes, conforto e segurança física e social. Como antecedentes, desde 2023, a Rede Rural Agroecológica de Camassary, composta por 13 organizações rurais e cerca de 50 apoiadores, já atuava em prol das demandas da agricultura familiar numa região onde o turismo e a indústria são prioridades. Em 2024, o projeto “Habitar Resiliente em áreas de transição rural-urbana” deu continuidade à coesão entre os membros da Rede. Já em 2025, o projeto “Habitar Saudável” considerou a vocação do lugar, revisitou demandas e potencialidades, promovendo o protagonismo comunitário e estudantil na cocriação de cenários alternativos para a sede e entorno da APANE, consolidando-a como referência. Pautada nos Determinantes Sociais de Saúde (DSS), o objetivo da extensão foi cocriar microprojetos visando a habitabilidade, acessibilidade, promoção da saúde e sustentabilidade socioambiental, resgatando práticas socioecológicas de baixo impacto ambiental.
Os multimeios da abordagem socioecológica em projetos de interesse social integram elementos da natureza ao processo criativo. Fundamenta-se no conceito de Ecosofia, de Guattari em “As Três Ecologias” (1990), que propõe a “filosofia engajada”, aqui extrapolada para o “projeto engajado”. A metodologia valoriza o protagonismo dos saberes locais e a colaboração entre academia e comunidade, utilizando linguagens gráficas e sensoriais que articulam dimensões socioambientais e subjetivas, visando melhores condições do habitar e o fortalecimento da cidadania. A assessoria técnica ocorreu por meio de: Levantamento e análise do espaço, com visitas técnicas e reconhecimento dos aspectos naturais (vegetação, solo, água e gestão de resíduos); Oficinas vivenciais usando expressões artísticas variadas (desenho, pintura, colagem, modelagem, etc); Cocriação de microprojetos, considerando acessibilidade, funcionalidade, conforto ambiental, uso de materiais locais e sustentabilidade socioambiental e econômica; Simulação de modelos digitais e representações tridimensionais; Apresentação e discussão coletiva das propostas, consolidando as escolhas e prioridades; Suporte técnico para execução projetual e realização de um microprojeto em mutirão.
A metodologia desenvolvida contribui para a assessoria técnica participativa em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo, aplicada a contextos rurais em transição, fortalecendo o planejamento comunitário e a agricultura familiar. Estimula práticas comunitárias que enfrentam os desafios da urbanização acelerada e promovem a apropriação do território pela comunidade. Seu mérito está na integração entre ensino, pesquisa e extensão, e na articulação entre leitura, interpretação, criação e execução de projetos na escala local, impulsionando a transformação socioespacial. A metodologia articula técnicas aprendidas e recriadas coletivamente por estudantes e comunidade durante o processo, resultando na cocriação de microprojetos e práticas socioecológicas que fortaleceram a autonomia, a resiliência e a coesão social da comunidade, demonstrando o potencial transformador do fazer coletivo e do habitar saudável e sustentável.

Habitar Saudável: multimeios da abordagem socioecológica em projetos de interesse social

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/SE da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 5 – práticas pedagógicas

Cidade/UF: SE
Ano do projeto: 2024
Ano de conclusão da obra: 2025

Eixo / Categoria: Eixo 5 / Categoria única
Modalidade: Produção acadêmica, científica ou editorial

Proponente:

Heliana Faria Mettig Rocha; Laís de Matos Souza; Patrícia Marins Farias
https://socioecologicas.ufba.br/

Autoria:
Heliana Faria Mettig Rocha; Laís de Matos Souza; Patrícia Marins Farias; Alessandra Silva dos Santos; Leilton de Oliveira Rios; Maria Eduarda Jacomello Weiss

Demais membros da equipe principal:
Heliana Mettig Rocha; Laís Souza; Patrícia Farias (Arquitetas Professoras coordenadoras)
Ana Lúcia Lage; Carolina Vieira; Marcos Queiroz (Professores colaboradores)
Carla Silva; Cristina Mara Corrêa (Colaboradoras da comunidade)
Alessandra Santos; Keli Silva; Leilton Rios; Maria Eduarda Weiss (Estudantes graduação de Arquitetura e Urbanismo – extensão PIBIEX)
Brenda Mendes; Daianny Ismerim; Gabriela Xavier; Hiba Ahmad; Maria Luiza Santana; Orlando Souza Neto; Zayane Oliveira (Arquitetos Estudantes de pós-graduação)
José Hélder Pereira (Arquiteto Apoio Técnico)
Júlia Belém; Luca Paim; Mila Hama (Estudantes graduação de Arquitetura e Urbanismo – pesquisa PIBIC)
Ana Beatriz Oliveira; Cleidival Santos; Flávia Moesia (Estudantes graduação de Arquitetura e Urbanismo – externo)
Alice Vitoria Mota; Andreza Pimentel; Anna Amoras; Bianca Dantas; Claudia Silva; Joao Azevedo; Luisa Costa; Nilton Santos; Quezia Victoria Brandão; Victoria Ribeiro (Estudante graduação de Arquitetura e Urbanismo – ACCS)
Fabriciano Barreto; Florisvaldo Gomes (Sr. Dadu); Janine Sousa; Jeane Braidy; Maria de Loudes Coutinho; Nair Nascimento; Wellington Silva (Convidados da comunidade)
Adelson Silva; Alexandra Santos; Antônio Araújo; Ednaldo Alves; Eduardo Simões; Edvaldo Rodrigues; Flora Sampaio; Lilian Ruth Herrera; Lourival Miranda; Lucas Santos; Lucineia Cerqueira; Lucineide Pereira; Roque Santos; Sandra Santos; Sara Santos; Socorro Maia; Tainá Quintero (Comunidade extensionista)

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
APANE – Associação de Pequenos Agricultores Nova Esperança de Coqueiro de Monte Gordo; Rede Rural Agroecológica de Camassary (Organizações parceiras)
Socioecológicas (Grupo de pesquisa e extensão proponente – PPG-AU/FAUFBA)
GEA-hosp; MultGraf, LACAM-Tec e LabHabitar (Grupos de pesquisa da FAUFBA)
FAUFBA – Faculdade de Arquitetura da UFBA; IHAC – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (Parceiros institucionais)
ARQB32 – ACCS Caminhos de Convergência Socioecológica: saberes, projeto e prática; PPG-AU0159 – Tópicos Especiais em Arquitetura e Urbanismo – Convergência Socioecológica; ARQD68 – Laboratório de Conforto (Disciplinas da graduação e pós-graduação)
LAIPS – Liga Acadêmica Interdisciplinar em Práticas Socioecológicas – FAUFBA; Escritório Modelo Projetaê – UNIRUY Wyden (Parceiros colaboradores estudantis)

Crédito das imagens:
Brenda Mendes: @bbrendamaria; Leilton Rios: leyrios22; Acervo dos autores: @socio.eco.logicas