O livro
Fragmentos Extraordinários da Cidade deriva de um processo de escrita que buscou se valer da literatura para pensar arquitetura. Construído por quinze ensaios, ele surge como um exercício de aproximação possível entre a concretude dos espaços que experienciamos cotidianamente e uma dimensão mais subjetiva das relações que erigimos com eles.
A autora ensaia uma escrita motivada por incursões diversas de afetação cotidiana: o morar, o transitar pela cidade, as barreiras e diluições entre casa e rua, os deslocamentos feitos ao longo da vida e suas perspectivas multigeracionais. Num cruzamento de experiências próprias com vivências de familiares e amigos, os conteúdos gerados passam por relações de sentido afetivo. Em sua dimensão experimental, a assunção do processo como parte constitutiva e fundamental acompanha os textos.
Inicialmente desenvolvido como um Trabalho de Conclusão de Curso de arquitetura e urbanismo em 2023, sua escrita partiu de um esforço de elaboração dos conteúdos apreendidos, formal e informalmente —vivenciados, escutados através de histórias ou, ainda, ficcionalizados. A orientação do TCC foi da professora Carolina Oukawa.
Esse esforço precisou ir de encontro a algumas contrapartidas hegemônicas, que aparecem no texto como menção a uma certa dificuldade de permissão para a sua escrita. Dentro de um contexto acadêmico, essa autorização, mais abstrata do que concreta, diz respeito a uma estrutura que, não raramente, privilegia rigidez em vez de rigor, impondo certa objetividade que determina e controla não apenas formas de escrever, como também de pensar, como colocado por Larrosa (2003). É aí que reside parte dos questionamentos que integram esse livro.
Fragmentos
visita
[…]
Pensar em condomínios fechados é necessariamente pensar em seus muros; é o que materializa seus limites, tornando-os fechados. Muros determinam limites, e o elemento que parecia ordenar os acontecimentos do condomínio resgatava repetidamente a ideia de limite. Os lotes, os recuos, as formas de agenciamentos; tudo estava muito bem organizado, muito bem delimitado e definido.
É uma construção de realidade que tem por intenção ser paralela e que orgulhosamente se empenha no papel de constituir ali uma idealidade; uma realidade formatada. Se a condição para isso é se valer de um tipo de aprisionamento, que seja ele feito; os bucolismos podem ajudar a tornar desejáveis e vendáveis formas de vida isoladas. Retirada a variável da imprevisibilidade da rua e das dinâmicas possíveis da cidade em sua concretude e contraditoriedade, o que se tem é o suprassumo dos conteúdos entediantes. […]
a invenção do cotidiano
(só que no tiktok)
[…]
As possíveis transgressões presentes nos fazeres cotidianos passariam a estar, então, inseridas numa conjuntura de vigilância que se utiliza do nosso olhar: através das imagens que vemos e das informações que produzimos, ou seja, de certa forma das nossas “maneiras de fazer” (fotografar, recortar, editar constituem criações, além do pesquisar, escrever, conversar e outras tantas atividades possíveis digitalmente), alimentamos nosso próprio monitoramento.
(…) Ao serem recortadas, sonorizadas e editadas, atividades por vezes longas e maçantes tornam-se vídeos fascinantes de alguns poucos segundos, indo ao encontro do que Erick Felinto propõe quando utiliza o fantasma como elemento de compreensão para a cultura contemporânea, em que as imagens da tela possuem uma realidade mais intensa e vivida que a do nosso cotidiano. […]
Fragmentos extraordinários da cidade
🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/PB da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 4 – práticas pedagógicas
Cidade/UF: PB
Ano do projeto: 2024
Ano de conclusão da obra: Não informado pelo autor
Eixo / Categoria: Eixo 4 / Categoria única
Modalidade: Produção acadêmica, científica ou editorial
Proponente:
Camila Andrade
Autoria:
Camila Andrade
Demais membros da equipe principal:
Não informado pelo autor
Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Não informado pelo autor
Crédito das imagens:
Acervo próprio
