Entre os Guajajara: caminhos para compreender modos de vida originários na Terra Indígena Araribóia
🏆 Vencedor da Etapa Departamental do IAB/MA da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo V – Práticas Pedagógicas
Categoria do IAB/MA: Categoria única – Práticas Pedagógicas
O trabalho Entre os Guajajara propõe uma ruptura epistemológica no campo da Arquitetura e Urbanismo ao reconhecer o povo Tenetehar Guajajara como sujeito ativo de conhecimento e não como objeto de estudo. Desenvolvida a partir de vivências na Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, a pesquisa desloca o olhar arquitetônico tradicional ao compreender o território como espaço de vida, espiritualidade, memória e resistência, em oposição à noção eurocêntrica de território como mera delimitação geográfico-econômica.
Inspirado em debates contemporâneos sobre pluralidade epistêmica e justiça territorial, o trabalho dialoga com autores como Arturo Escobar e Immanuel Wallerstein para tensionar os limites da racionalidade moderna e da lógica capitalista frente às formas autônomas de organização indígena. A Terra Indígena Araribóia é tratada não como cenário, mas como campo de escuta e convivência, marcado por ameaças como o desmatamento, a expansão agrícola e os conflitos fundiários.
A metodologia adotada é qualitativa, sensível e ética, baseada em vivências diretas com os Guajajara, incluindo conversas abertas, caminhadas coletivas, registros fotográficos e desenhos autorais. Todo o processo foi conduzido a partir do consentimento livre, prévio e informado, priorizando o cuidado, a reciprocidade e a devolução simbólica do conhecimento produzido.
Mais do que gerar um produto acadêmico, a pesquisa busca abrir fissuras na linguagem colonizada da arquitetura, criando espaço para outras formas de pensar, habitar e construir o território. Ao optar por “estar com” e não “falar sobre”, o trabalho afirma uma prática pedagógica comprometida com a escuta, a coexistência de epistemes e a valorização dos saberes originários, contribuindo para uma arquitetura eticamente implicada e politicamente situada.
Texto elaborado a partir das informações fornecidas pelo proponente.
Cidade do projeto:
Terra Indígena Araribóia (MA)
Ano de início das atividades:
2024
Ano de términodas atividades:
2025
Equipe e colaboradores:
Marluce Wall de Carvalho Venâncio (orientadora)
Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Centro de Saberes Tenetehar Tukàn
Crédito das imagens:
