O projeto Entre o Sol e as Sombras parte do reconhecimento do jardim como extensão da vida cotidiana, território de afeto, memória e permanência. Desenvolvido para uma residência unifamiliar em Campo Grande (MS), o trabalho propõe uma leitura sensível da paisagem existente, entendendo sol e sombra como metáforas do tempo e da continuidade do habitar.
A intervenção atua sobre aproximadamente 450 m² de áreas livres, preservando a vegetação estruturante consolidada ao longo de oito anos e reforçando o caráter de refúgio e serenidade do lugar. O projeto se organiza a partir de três eixos fundamentais: acessibilidade, sustentabilidade e continuidade paisagística. Em vez de impor novas formas, a proposta qualifica e amplia os usos já consolidados pelos moradores, valorizando árvores, percursos, objetos e espaços carregados de significado afetivo.
Os espaços são articulados por núcleos complementares. A área frontal organiza os acessos e cria um recanto de contemplação voltado ao pôr do sol. A lateral abriga o Jardim do Infinito, onde água, sombra e reflexo constroem uma experiência sensorial contínua. Nos fundos, o projeto privilegia o convívio familiar, integrando mesa sob a jabuticabeira, pisos drenantes, fogo de chão e um shed garden com hortas elevadas e captação de água da chuva.
O resultado é uma síntese entre técnica e sensibilidade, em que paisagem e arquitetura se equilibram entre permanência e transformação, afirmando o jardim como lugar de memória viva e convivência cotidiana.
Texto elaborado a partir das informações fornecidas pelo proponente.