O projeto Atobá nasce do desafio de construir em um terreno estreito no Leblon, um dos bairros mais vibrantes do Rio de Janeiro. A limitação espacial, em vez de restringir, tornou-se ponto de partida para uma proposta arquitetônica precisa e expressiva. O edifício traduz a busca por equilíbrio entre racionalidade construtiva, integração com o entorno e valorização da arte, resultando em uma arquitetura que transforma a restrição em potência criativa.
A configuração do lote determinou uma solução simétrica, que organiza de forma eficiente as duas unidades de frente por andar e estabelece a lógica da composição da fachada. Essa divisão axial estrutura o edifício e dá origem a uma arquitetura marcada pela proporção e pela clareza formal. A simetria não é apenas um gesto técnico, é também um instrumento estético, que confere ordem, ritmo e harmonia à obra.
Com poucas unidades de 32m² a 127m², entre studios e apartamentos de 3 quartos, o Atobá combina amplas áreas sociais e varandas generosas com ambientes íntimos voltados à privacidade e ao conforto. A integração entre interior e exterior, reforçada pela entrada abundante de luz natural, proporciona um modo de habitar que reflete o espírito do Leblon: aberto, luminoso e acolhedor.
Um dos méritos mais notáveis do projeto está na maneira como a arquitetura dialoga com a arte. A obra do artista Daniel Senise, presente na portaria, foi referência para o desenvolvimento dos cobogós que marcam a fachada. Eles foram criados exclusivamente para o Atobá, e sua paleta de tons suaves evocam areia, luz e o entardecer. Eles não apenas definem a identidade visual do edifício, como também cumprem funções ambientais e urbanas: filtram a incidência solar, garantem ventilação e criam privacidade, essencial em uma rua de movimento intenso.
Essa relação entre arte e técnica se estende à escolha criteriosa dos materiais. O uso do granito branco siena levigado e do alumínio traduz a intenção de unir durabilidade e leveza, oferecendo ao edifício uma aparência sólida, porém serena. O desenho cuidadoso das junções entre as pedras expressa o rigor construtivo e a atenção ao detalhe, qualidades que distinguem o edifício.
O projeto luminotécnico complementa essa abordagem, enfatizando o encontro entre os materiais e as linhas estruturais. À noite, a luz revela a textura das superfícies e o jogo de cheios e vazios da fachada, ampliando o diálogo entre matéria e sombra que define o caráter do projeto.
Mais do que um edifício, o Atobá se afirma como um encontro entre técnica, arte e cidade. Cada elemento, do desenho da fachada à escala dos interiores, foi pensado para traduzir uma ideia de permanência e leveza, criando uma arquitetura que dialoga com o tempo, com o lugar e com a sensibilidade de quem o habita.

Atobá

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/RJ da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 1 – edificações

Cidade/UF: RJ
Ano do projeto: 2020
Ano de conclusão da obra: 2024

Eixo / Categoria: Eixo 1 / Edifícios multifamiliares
Modalidade: Projeto com obra executada

Proponente:

Autoria:
Celso Rayol e Fernando Costa

Demais membros da equipe principal:
Daniel Osório, Lúcia Andrezo, Thiago Godoy, Vanessa Moreira, André Caterina (Arquitetos Coordenadores)
Ana Terra Vettori, Eduardo Romano, Leonardo Leal, Luiza Melo e Pedro Brito (Arquitetos Colaboradores)
Echo Arquitetura (Acústica)
M2 Projetos de Tecnologia (Automação)
Porú (Comunicação Visual)
QMD Consultoria (Consultoria de alumínio)
Meyer & Pedroso Engenharia (Estrutura)
ABS (Fundação)
GTI Projetos (Impermeabilização)
Green Gold Engenharia (Instalações)
Bianca da Hora (Interiores)
Hibritec (Irrigação)
Chiaradia + Gayoso (Luminotécnica)
Hibritec (Piscina)
Deca (Louças e metais)
Franke e Tramontina (Cubas)
Portobello (Revestimentos internos)
Granito (Fachada)
Atlas (Pastilhas fachada)
Ezy Color (Alumínio dos cobogós)
TKE (Elevadores)
Mozak (Execução de paisagismo)
PKO (Vidros)
Recreio Granito)

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Mozak Empreendimentos (Incorporadora)

Crédito das imagens:
Pedro Mascaro