A prática pedagógica aqui apresentada descreve as bases do ateliê de projeto VII, do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS. Ao desenvolver a disciplina, os professores buscaram vertebrar as discussões dentro da sala aula na direção de certos temas que estão transformado a prática do arquiteto contemporâneo, sendo alguns deles raramente abordados no âmbito acadêmico.
Discutir forma arquitetônica em um atelier de projeto de graduação é sempre um desafio, tendo em vista a diversidade de interpretações já dadas ao assunto ao longo do tempo e a falta de repertório e conhecimento por parte da maioria dos alunos. Manter sempre as discussões no âmbito da prática de projeto, tendo como principio definições claras que possam jogar luz sobre o tema da forma parece sempre ser a melhor estratégia dentro de sala de aula. Baseado nessas premissas, o atelier de projeto VII tem tratado de estabelecer a sua prática sobre 3 pilares: a construção, o programa e a sustentabilidade.
Parte-se do convencimento que estes os três aspectos são combustíveis para a forma arquitetônica e devem direcionar a construção formal, assim como estar expressados e poder ser reconhecidos nas versões finalizadas dos projetos propostos. A preocupação com a integração e o funcionamento de todas as partes do projeto enfatiza que a sustentabilidade está no centro do processo generativo, juntamente com os demais parâmetros de projeto. As estratégias de ensino utilizadas levaram os professores a desenvolver um caminho metodológico para que os alunos pudessem projetar, avaliar, demonstrar e qualificar o objeto desde a sua concepção até o que seria a sua construção. 
 
Etapas
A primeira etapa de trabalho tem como objetivo introduzir a metodologia de projeto desenvolvida no Atelier, através dos fundamentos do programa e estudo de referências de projetos e obras, executadas com estruturas de madeira engenheirada, como material de baixo impacto ambiental por captura de CO2 e baixa energia incorporada.  O programa parte de um edifício de habitações mínimas, são estúdios e apartamentos de 30 a 40m2, com práticas  de compartilhamento do tipo co-living e co-working, na região do Quarto Distrito de Porto Alegre. 
A segunda etapa consiste no lançamento do partido, onde o reconhecimento do sítio é condição essencial. A análise do terreno toma como lugar tudo aquilo que diz respeito ao contexto – no amplo sentido da palavra – para o qual o projeto está sendo feito. Podem ser considerados contexto, aspectos urbanos, sociais e econômicos, assim como aspectos naturais tais como ventos predominantes, vegetação   e, obviamente, o clima e a orientação solar.
Na terceira etapa, de desempenho ambiental, os partidos iniciais são submetidos a avaliações definidas por parâmetros qualitativos de sustentabilidade ambiental, através do emprego de estratégias passivas e ativas visando ao melhor desempenho térmico e lumínico. Os resultados são apresentados através dos cortes bioclimáticos, ou seja, as secções transversais do edifício que representam as estratégias passivas e ativas de conforto ambiental e produção de energia, através do posicionamento dos painéis fotovoltaicos.
A quarta etapa enfatiza a tecnologia construtiva adotada, cuja concepção formal deve ser resolvida por um sistema construtivo industrializado, construído num prazo de 120 dias. A disciplina determina uma obra em partes totalmente transportadas por caminhões e com prazo máximo de montagem no sítio de 10 dias. Somente a construção a seco é capaz de atender estes requisitos. 
Na última etapa da metodologia, se procede o refinamento do projeto arquitetônico através da integração de aspectos relacionados à estrutura, construção e instalações, onde se enfatiza a importância de correlacionar a forma arquitetônica com as demandas tecnológicas. O edifício é concebido como um sistema, onde a estrutura integra as instalações e o sistema construtivo resolve cada tipo diferente de articulação e/ou interface entre todos os componentes.

ATELIÊ DE PROJETO VII: FORMA, CONSTRUÇÃO E SUSTENTABILIDADE

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/RS da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 5 – práticas pedagógicas

Cidade/UF: RS
Ano do projeto: 2016
Ano de conclusão da obra: Atividade contínua

Eixo / Categoria: Eixo 5 / Praticas em ensino-aprendizagem, inovação pedagogica e integração escola-território 
Modalidade: PProdução acadêmica, científica ou editorial

Proponente:

Nicolás Sica Palermo, Silvia Morel Correa e Carlos Fernando Bahima

Autoria:
Nicolás Sica Palermo, Silvia Morel Correa e Carlos Fernando Bahima

Demais membros da equipe principal:
Não informado pelo autor

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Não informado pelo autor

Crédito das imagens:
Nicolás Sica Palermo