Dois amigos, um lote dividido, e o desafio de fazer caber duas casas autônomas em apenas 4,5 × 19 m cada — restrição que conduziu o projeto arquitetônico rumo a uma solução vertical, permeável, com térreo em pé-direito duplo, grandes aberturas e jardins como mediadores entre interior e exterior. Nesse contexto de limite físico, o paisagismo atua como extensão silenciosa da arquitetura: onde o lote não se expande em metros, ele cresce em atmosfera. A escolha de mais de trinta espécies vegetais não teve caráter apenas ornamental. Cada grupo de plantas foi pensado para construir microcenários dentro de um espaço reduzido. Na área social, a vegetação de baixo porte garante transparência e preserva a ventilação cruzada, princípio central da arquitetura. Na porção posterior, onde a suíte principal se abre ao jardim, a seleção de espécies de maior densidade cria um refúgio visual e um filtro de privacidade sem a necessidade de barreiras opacas. Nas laterais estreitas entre as casas, espécies esguias suavizam o encontro entre vizinhos que compartilham uma vida em proximidade, mas não abrem mão de sua individualidade. O jardim foi concebido com camadas de tempo e de experiência. Espécies de rápido estabelecimento garantem caráter desde o início, enquanto outras, de maturação lenta, projetam o futuro do lugar. Assim como a arquitetura equilibra convivência e autonomia, o paisagismo também age nesse intervalo delicado: ao articular densidades, alturas, texturas, sombra e controle climático em pouco espaço, converte limite em qualidade de vida. O resultado não é apenas um jardim que acompanha a casa, mas um componente ativo do modo de morar e de se relacionar que deu origem ao projeto. O conceito do paisagismo deriva de uma citação trazida pelo cliente — “…e graças a esse aumento das árvores, eu também renasci”, de Sebastião Salgado. A frase passou a operar como enunciado de projeto: se as árvores foram instrumento de renascimento, o verde deveria assumir papel de protagonista — não de preenchimento. Multiplicaram-se, assim, as camadas vegetais não para ornamentar o lote, mas para que a paisagem atuasse como força ativa.
Casas Campeche
🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/SC da Premiação Nacional do IAB 2025
🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 3 – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades
Cidade/UF: SC
Ano do projeto: 2023
Ano de conclusão da obra: 2024
Eixo / Categoria: Eixo 3 / Categoria única
Modalidade: Projeto com obra executada
Proponente:
Terraço Paisagismo
www.terracopaisagismo.com
Autoria:
Rodrigo Martins Gheller, Pedro Henrique Taschetto, Paloma Xavier, Eliton Renan Kutas,
Demais membros da equipe principal:
Não informado pelo autor
Equipe ou instituições indiretamente envolvidas:
Não informado pelo autor
Crédito das imagens:
Lucas Reitz
