Um passo rumo à equidade de gênero na arquitetura

Data: 05/03/2020

Departamento: Nacional

O anúncio do resultado do Prêmio Pritzker 2020 é mais um passo na busca pela equidade de gênero no campo da arquitetura e urbanismo. As vencedoras foram as irlandesas Yvonne Farrell e Shelley McNamara, co-fundadoras da Grafton Architects. É a primeira vez que o Prêmio, considerado um Nobel da arquitetura, destaca uma dupla feminina. Com elas, sobe para cinco o número de mulheres premiadas em 42 edições do Prêmio. 

“Esse contexto demonstra o quanto a arquitetura é um mercado prioritariamente direcionado para o homem”, diz Solange Araújo, Diretora do IAB. “Atualmente, mais mulheres que homens se formam em arquitetura, mas eles permanecem à frente no comando, reconhecimento e exercício do poder por questões culturais que precisam ser enfrentadas e mudadas. O IAB deu um exemplo nesse sentido, em 2019, ao entregar o Colar de Ouro a arquiteta Rosa Kliass, primeira mulher destacada com esta honraria máxima da entidade”, reforça.  

Para Daniela Sarmento, Presidente do CAU/SC, a perspectiva feminina na arquitetura é historicamente desvalorizada e a premiação é uma oportunidade de dar visibilidade e inserir o trabalho das mulheres de forma equânime. “O Pritzker é uma vitrine da arquitetura mundial e ter uma dupla de mulheres como vencedoras divulga o olhar, o pensar e o fazer feminino na profissão para o mundo”. 

Visão respeitosa e coletiva 

Segundo citação do júri da premiação, Yvonne Farrell e Shelley McNamara trabalham de uma maneira que reflete claramente os objetivos do Prêmio Pritzker -  reconhecer a arte da arquitetura e o serviço consistente à humanidade, como evidenciado por um conjunto de obras construídas. “Possuem profundo entendimento do espírito do lugar, o que significa que seus trabalhos melhoram a comunidade local. Seus edifícios são bons vizinhos, que buscam contribuir além dos próprios limites e fazer a cidade funcionar melhor”, diz o texto. 

“Dar visibilidade à visão feminina sobre os edifícios, construções e cidades demonstra que os organizadores e o próprio júri do Pritzker estão mais atentos à força feminina presente na profissão”, acredita Elisabete França, Coordenadora do Comitê Cientifico do UIA2020Rio. “Aos poucos e com muita luta ocuparemos o espaço que merecemos”.  

À frente da coordenação da Comissão de Equidade de Gênero do CAU/BR e Conselheira Superior do IAB, a arquiteta Nadia Somekh concorda que a busca para ampliar a representação das mulheres nos diversos espaços da arquitetura é essencial. “Mais de 60% dos arquitetos brasileiros são mulheres, mas os homens são a grande maioria na liderança. No CAU, por exemplo, de 28 conselheiros no Brasil apenas seis são mulheres e temos sete em presidências das regionais. Ou seja, são os homens que falam por nós. É hora de termos voz no mesmo tom”. 

Sobre  a dupla

Com projetos espalhados pela Irlanda, Itália, França e Peru, as arquitetas Yvone Farrel e Shelley McNamara se destacam pela abordagem sensível à geografia, cultura e contexto dos canteiros de obras. A Grafton realizou inúmeros edifícios educacionais, moradias e instituições culturais e cívicas. 

Em 2018, foram responsáveis pela curadoria da Bienal de Arquitetura de Veneza, o mais influente evento de arquitetura do mundo, no qual propuseram o tema Freespace, que buscou explorar a generosidade, reflexão e engajamento através da prática da arquitetura.

Confira algumas obras na galeria. 
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