"Temos a possibilidade de reconstruir uma borda frente ao mar", diz Vigliecca

Data: 28/11/2014

Departamento: Nacional

Arquiteto, nascido no Uruguai, radicado no Brasil há quase 40 anos e apaixonado por música clássica, mais especificamente por violoncelo, instrumento que toca. Este é Héctor Ernesto Vigliecca Gani, que no dia 14 de novembro foi anunciado vencedor do Concurso Anexo da Biblioteca Nacional, promovido pela Fundação Biblioteca Nacional e pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), com organização do IAB-RJ. Em entrevista à seção 5 Perguntas, do site do IAB, Vigliecca, que liderou a equipe composta por Luciene Quel, Ronald Werner, Neli Shimizu, Marina Piccolo, Leandro Leão, Paula Romagnoli, Natália Harumi, Carlos Collet e Bhakta Kpra, além do consultor Flávio D’Alembert, falou sobre a proposta para o Anexo da Biblioteca Nacional, seu processo criativo e a importância dos concursos para a contratação de projetos de obras públicas.
 
Leia a entrevista a seguir.
 
Instituto de Arquitetos do Brasil: Qual foi o critério adotado para o estudo preliminar do Anexo da Biblioteca Nacional?
 
Héctor Vigliecca: O ponto de partida é quase sempre o mesmo. Independentemente do uso que vai ter a edificação, o importante é a construção da cidade. A forma de uso pode se transformar com o tempo. O que é válido hoje pode não ser daqui a 20, 30 anos. Porém, o que você define como cidade, isso sim permanece. É aí que colocamos a nossa responsabilidade. O que fizemos foi respeitar o programa apresentado pelo concurso. Acho que a estrutura existente nos permite fazer qualquer coisa. Ela é extremamente pesada, suporta mais de uma tonelada por metro quadrado. Além disso, buscamos não tratar o Anexo da Biblioteca Nacional como um objeto, algo comum quando se trata de construções em linhas de privilégio de frente para o mar. Pensamos em transformar a edificação numa espécie de portal intermediário, conectando um lugar de encontro ao mar e à cidade.
 
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IAB: Você pode explicar como foi o processo criativo para a elaboração do projeto de estudo preliminar para o Anexo da Biblioteca Nacional?
 
HV: Como todo projeto de arquitetura, começamos a reunir informações para traçar uma hipótese. Visitamos o local, tiramos fotos e analisamos o passado da edificação. Estudamos os projetos que já desenvolvemos para bibliotecas e procuramos também outros projetos, inclusive no exterior. Isso nos ajudou a definir a hipótese. Outro fator que também levamos em consideração foi o espaço que o prédio ocupa. O lugar também determina como definir o projeto. Nesse projeto, temos o mar, a Baía de Guanabara.  Você quer algo mais interessante do que isso? A primeira coisa que pensei ao projetar foi: se vou fazer uma sala de leitura, não vou colocá-la no chão. Queria algo no alto, que possibilitasse ver uma paisagem inédita. Essa paisagem pode ser tão boa que as pessoas podem ir lá apenas para admirá-la ou passar uma tarde inteira.
 
IAB: Você diz que estudou outros projetos que criou para bibliotecas. É um tema que lhe interessa?
 
HV: Esta será a primeira vez que vamos construir uma biblioteca, apesar de termos vários projetos desse tipo de equipamento. O tema biblioteca sempre me interessou. Considero que a biblioteca é, ainda hoje, um importante ponto de encontro e de animação urbana. Ela é um espaço de valor social extraordinário.
 
IAB: O que você pensou quando soube do lançamento do Concurso Anexo da Biblioteca Nacional, que provocou os arquitetos a apresentar ideias para um prédio antigo, na Região do Porto do Rio, que passa por uma grande transformação urbana?
 
HV: Quando soubemos do concurso, entramos de cabeça e dissemos que isso era para nós. O tema é fantástico, e temos a possibilidade de reconstruir uma borda urbana frente ao mar. No desenvolvimento do trabalho, tomamos o cuidado para não tornar a área a prateleira da casa da vovó. As coisas precisam ter sentido. O olhar precisa ser óbvio, sem ser pobre. A riqueza é interpretar aquele ponto de maneira correta e não intervir com “modismo”, como vemos nas revistas hoje em dia e em toda parte do mundo.
 
IAB: Qual é a importância da modalidade de concurso para a contratação de projetos para obras públicas?
 
HV:  Participamos de mais de cem concursos e ganhamos 48. Por isso defendo de forma veemente a realização de concursos para a contratação de projetos de obras públicas. Contudo, para que o concurso dê certo, é preciso que ele tenha um bom corpo de jurados e uma boa organização. Isso aconteceu neste concurso organizado pelo IAB-RJ. O programa e os condicionantes estavam muito bem definidos, assim como os termos de contratação. Esses aspectos são fundamentais para atrair as boas equipes de arquitetos. Concursos coerentes sempre apresentam resultados positivos.
 
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