Principal executivo da Camargo Corrêa defende licitação só com projeto completo

Data: 18/11/2015

Departamento: Nacional

O jornal Folha de S.Paulo desta quarta-feira, 18 de novembro, publicou entrevista com o principal executivo da empreiteira Camargo Corrêa, Vitor Hallack. À Folha, Hallack disse que depois da Operação Lava Jato, situações toleradas no passado, como falta de transparência e relações espúrias, não são mais aceitas na empresa. “Se, com tudo isso, nada mudar, estamos fora do mercado”, afirmou.
 
Abaixo, confira parte da entrevista.
 
Folha - Das grandes empreiteiras da Lava Jato, vocês são os únicos a admitir pagamento de propina e participação em cartel. Por que desistiram de se defender na Justiça como outros estão fazendo?
 
Vitor Hallack - Dois de nossos ex-executivos fizeram delação premiada e reconheceram os erros. A gente podia brigar contra as evidências e ficar negando eternamente, dizer que era coisa deles.
 
Ou podíamos assumir os fatos. Nossos ex-executivos falavam em nome da construtora e reconheceram desvios. Por que a gente ia ficar dando murro em ponta de faca? Preferimos assumir, indenizar e corrigir para o futuro.
 
Vocês cogitaram abandonar o mercado de obras públicas depois da Lava Jato?
 
Não. Nossa construtora já virou a página. Acertamos as contas com a Justiça, vamos pagar R$ 804 milhões em indenizações e estamos reforçando os controles para evitar que os erros se repitam.
 
A questão não é se a obra é publica ou privada. Há muitos projetos públicos redondos. O que queremos são obras que nos permitam trabalhar com transparência.
 
Mas dá para trabalhar com o setor público sem propina?
 
Dá. A Lava Jato, o amadurecimento das instituições, os fatos recentes, tudo isso propiciou um grau de conscientização muito grande.
 
Se, com tudo isso, nada mudar, estamos fora do mercado. Uma coisa posso te assegurar: em qualquer situação que venha a aparecer novamente [parecida com as da Lava Jato], nossa decisão vai ser não compactuar.
 
O sr. acha que as coisas vão mesmo mudar?
 
Quando digo que, se não mudar, estamos fora, estou ecoando o universo de investidores que apostam no país. Coisas toleradas no passado não são mais aceitas, como falta de transparência e relações espúrias.
 
Sem mudar, o país não vai conseguir atrair investimentos. O investidor quer regras claras e transparência. Combater a corrupção é importante, mas nossos problemas não são apenas esses.
 
Quais são?
 
A gente precisa profissionalizar o investimento público no Brasil. Criar as condições para ter planejamento com início, meio e fim, com projetos executivos aprovados por todos os órgãos antes de iniciar a contratação.
 
Você cansou de ver na Lava Jato que as obras começavam apenas com projeto básico, com agendas políticas e não econômicas.
 
Quando isso acontece, o projeto vai sofrer atrasos e vai haver aquilo que se lê como aditivos desnecessários, que geram aumentos de preços. Quem planeja mal, paga mais caro do que deveria.
 
Clique aqui para ler a íntegra da entrevista no site da Folha.

Post sem comentários! Comentar o post