"Grandes projetos urbanos devem levar em conta a herança coletiva”, defende Nadia Somekh

Autor: IAB-BA Data: 16/05/2013

Departamento: IAB BA

As características e procedimentos para a realização de projetos urbanos foram os assuntos tratados na mesa-redonda “Os Grandes Projetos Urbanos e seus impactos sobre o patrimônio”, que aconteceu na tarde desta quarta-feira (15), no ArquiMemória 4 – Encontro Internacional sobre Preservação do Patrimônio Edificado, e contou com a participação de duas professoras e pesquisadoras da Bahia e de São Paulo.

A diretora do Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo, a professora de arquitetura e urbanismo Nadia Somekh, apresentou a palestra “Metrópole contemporânea, patrimônio e projetos urbanos”, na qual argumentou que uma característica marcante dos projetos urbanos no Brasil é o desrespeito aos espaços públicos. Para Nadia, que integra a equipe do departamento paulistano do Instituto de Arquitetos do Brasil, a cultura e a relação da sociedade com a sua história são elementos fundamentais no processo de preservação do patrimônio.

“Grandes projetos urbanos devem levar em conta a herança coletiva, portanto, devem ser construídos com a participação das populações”, defendeu Nadia ao afirmar que estes projetos envolvem um processo de longa duração, em uma perspectiva de futuro.

Já Elyane Lins Corrêa, da Faculdade de Arquitetura da UFBA, falou sobre as relações entre as grandes corporações do setor imobiliário e o Estado no sentido de viabilizar projetos que reproduzem a lógica predatória das elites econômicas, em detrimento de regiões tradicionais e consolidadas de diversas cidades brasileiras, na palestra “Urbanismos da inautenticidade”.

Elyane apresentou exemplos de projetos desenvolvidos para Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Porto Alegre, destacando a semelhança entre eles e o modo como são construídas narrativas que justificam e possibilitam a aceitação destes projetos pelas populações destas cidades. “Primeiro, a área é abandonada com a cumplicidade do poder público. Depois surge o projeto prometendo soluções para os problemas enfrentados pelos moradores, e oferecendo uma vida de estilo, beleza e sofisticação. Daí os preços dos imóveis sobem e os moradores são impelidos a saírem ou retirados do local”, disse Elyane explicando o processo que envolve, de um lado, os interesses do capital imobiliário e o Estado comprometido com a reprodução deste capital e, do outro lado, a sociedade desprotegida.

O ArquiMemória 4 acontece até sexta, 17 de maio, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador, com programação diversificada, palestras magistrais, mesas e colóquios temáticos, lançamentos de livros e revistas, comunicações e apresentação de projetos de intervenção, tendo a participação de especialistas de todas as regiões do Brasil e de mais 15 países. O evento é promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), através do Departamento da Bahia (IAB-BA), em parceria com a Faculdade de Arquitetura e o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Ufba.

(Foto: Nadia Somekh - Crédito: Ricardo Prado/IAB-BA)

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