Fórum discute a importância da Baía de Guanabara para o Rio de Janeiro

Data: 02/10/2014

Departamento: IAB RJ

A importância da Baía de Guanabara e a centralidade por ela proporcionada foram discutidas na segunda mesa redonda do Fórum AC 21 – Arquitetura e Cidade no Século XXI, que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 1º de outubro, no Riocentro. O evento, que faz parte da programação da Feira Construir Rio 2014, reuniu os arquitetos Milton Braga, João Pedro Backheuser e o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), Alberto Silva.

Para João Pedro Backheuser, sócio da Blac Arquitetura, escritório responsável pelo projeto da frente marítima do Porto do Rio de Janeiro, é preciso mudar o imaginário da população sobre a Baía de Guanabara: “A gente pensa a Baía como um lugar de porto e um lugar industrial. Um espaço não agradável à população.”

Essa mudança de percepção é uma das propostas do projeto de Backheuser, que não tem dúvidas sobre a possibilidade de transformar um espaço degradado, até pouco tempo esquecido pela cidade, em um espaço mais amigável. Ele, inclusive, citou como exemplo os recentes eventos na região portuária, como o Art Rio e o Festival do Rio, que aproximaram milhares de pessoas à área.

“A cidade foi fundada na Baía, mas parece que toda a atenção da qualidade do espaço se voltou para as praias a partir do descobrimento da técnica de construção de túneis. Assim, o Rio deixou para trás o histórico da cidade”, avaliou Backheuser.

O presidente da CDURP apontou a antiga legislação do Rio como um dos responsáveis pelo abandono da região portuária e do Centro do Rio. “O Centro do Rio é vazio porque, nos anos de 1960, a legislação proibiu a habitação naquele espaço. Agora, 50 anos depois, começamos a reverter esse processo”, afirmou.

Ao falar sobre a operação urbana do Porto Maravilha, Alberto Silva disse que a proposta da prefeitura é enfrentar o esvaziamento sazonal do Centro e transformar a região num lugar vivo. Ele também destacou a importância histórica do local, que abriga o Cais do Valongo -  onde desembarcaram cerca de 500 mil africanos escravizados e que, até pouco tempo, estava soterrado - e a Pedra do Sal, conhecida como berço do samba.

“A região do Porto do Rio de Janeiro é importante do ponto de vista histórico e estratégico, pois ocupa uma área de cinco milhões de metros quadrado. A operação urbana em andamento está fazendo 66 quilômetros de redes de drenagem, 85 quilômetros de redes de esgoto, 120 quilômetros de redes de água, plantio de 15 mil árvores, novas vias exclusivas para pedestres, 12 quilômetros de ciclovias, execução de 650 mil metros quadrados de calçadas, além de outros serviços de manutenção e infraestrutura. Ao falarmos do Porto Maravilha, estamos falando de uma operação urbana muito mais complexa do que derrubar um elevado, que vai promover o encontro da cidade com a Baía, valorizando-a”, defendeu Alberto Silva.

Segundo o arquiteto paulista, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e curador do Instituto de Urbanismo e de Estudos para a Metrópole (Urbem), Milton Braga, São Paulo não tem mais uma natureza capaz de qualificar a cidade ou de criar referências. Por isso, a melhor possibilidade da capital paulista para construir um tecido urbano mais atraente é tratar as obras de infraestrutura não apenas como elementos setoriais – estações de trens e metrôs, canais de drenagem e outras –, mas transformar esses “artefatos urbanos” na base material da qualidade dos espaços públicos.

Um dos estudos feitos pelo Urbem, apresentado por Milton Braga, foi o do Arco Tietê. O trabalho é um projeto de grande escala, para a parte mais importante da metrópole de São Paulo, que vai de Campinas até Santos, e responde por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

“Verificamos que em São Paulo, assim como deve está  acontecendo aqui no Rio, as antigas áreas de ocupação industrial estão sendo convertidas para outras atividades pelo setor imobiliário, que não consegue pensar estrategicamente. Se a sociedade paulista e carioca não forem capazes de organizar as energias do mercado imobiliário, talvez percamos a oportunidade de nos tornarmos Paris ou Londres, que souberam fazer sua ‘natureza’”, alertou Milton Braga.

O Fórum AC 21 – Arquitetura e Cidade no Século XXI foi organizado pelo IAB-RJ e integrou a programação de abertura da Feira Construir Rio 2014, promovida pela FAGGA | GL Events Exhibitions, cuja curadoria também é do IAB-RJ. Além da mesa redonda que discutiu a frente marítima e a Baía de Guanabara, o fórum também debateu, no dia 15 de setembro, o protagonismo do arquiteto no canteiro de obra. O evento trouxe ainda o diretor de projeto urbano da cidade de Melbourne, Rob Adams, para apresentar a experiência de requalificação urbana da cidade australiana.

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