Cidades iguais, apenas em estágios diferentes, diz Rob Adams

Data: 02/10/2014

Departamento: IAB RJ

Um rio poluído, que ninguém enxergava como parte da identidade da cidade, e um centro abandonado. O cenário, bastante próximo ao de várias cidades brasileiras, era a realidade da cidade australiana de Melbourne até 1985, quando o arquiteto Rob Adams liderou um extenso projeto de requalificação urbana. Adams, que atualmente ocupa o cargo de diretor de projeto urbano da cidade australiana, discutiu a experiência transformadora no Fórum AC 21 - Arquitetura e Cidade no Século XXI. O evento integrou a programação da Feira Construir 2014, organizada pela FAGGA | GL Events Exhibitions, com curadoria do IAB-RJ.

Baseado em oito critérios, o trabalho de Adams contribuiu para transformar Melbourne em referência para cidades como Bogotá, Glasgow, Bordeaux, Malmo (Suécia) e Dublin. “Ao olhar para o Rio, vejo que os problemas das duas cidades (Rio e Melbourne) são iguais, só estamos em estágios diferentes”, afirmou o australiano.

Um dos pontos chaves do planejamento de Melbourne foi a criação de espaços públicos de qualidade, dotados de bom gerenciamento. Segundo Adams, Melbourne não foi uma cidade feita com espaços públicos, por isso, eles tiveram que criar pequenos locais de convívio, que incentivassem a sociabilidade.

“O segredo do espaço público não é o tamanho, mas o uso que se faz dele. Às vezes, é melhor ter um espaço pequeno e bom que um espaço grande e vazio. Em 1985, existiam apenas dois cafés em toda a cidade de Melbourne, atualmente, contamos com 534”, contou Rob Adams.

O diretor de projeto urbano de Melbourne também destacou a importância de se valorizar a mobilidade urbana como parte da identidade da cidade. Em 1985, Melbourne tinha 12 mil pedestres. Após 28 anos, esse número saltou para 45 mil. Uma das estratégias para alcançar esse resultado foi o investimento na construção de calçadas e a redução do número de ruas. “A cidade possui uma identidade. Essa característica a diferencia das outras. A mobilidade urbana também é importante para um bom ambiente urbano. Se não há mobilidade dentro da cidade, se as pessoas não caminham nas ruas, o comércio enfraquece. Além de privilegiar o pedestre, com a construção de calçadas, mantivemos os bondes e aumentamos o investimento em linhas férreas”, analisou.

Outros quatro critérios que nortearam o planejamento urbano da cidade australiana foram o adensamento da cidade, o incentivo ao uso misto dos imóveis, a participação popular e a questão ambiental. De acordo com Rob Adams, a população que vivia no Centro de Melbourne era equivalente a zero, em 1985. A ambição deles era levar oito mil pessoas para a região em 15 anos, mas o objetivo foi atingido em nove.

Para Adams, os prefeitos dos municípios são atores estratégicos para o desenvolvimento econômico do país: “A economia do país depende do sucesso das cidades. Os prefeitos são mais importantes do que os presidentes porque são eles que pensam e falam das cidades. São eles que movem a economia.”

Post sem comentários! Comentar o post