“Brasil é um modelo para outros países em desenvolvimento” | IAB Brasil

“Brasil é um modelo para outros países em desenvolvimento”

Data: 24/06/2014

Departamento: Nacional

Na África, a reprodução do modelo europeu de viver e de morar é consequência da forte influência colonial e da ausência de uma arquitetura de identidade genuinamente africana. Para discutir esse assunto, a Ordem dos Arquitetos de Angola realizou, entre os dias 5 e 9 de junho, o 2º Fórum Internacional de Arquitetura, cujo tema foi “O homem e o território”. No evento, também ocorreu a 50ª Reunião do Conselho da União Africana de Arquitetos (UAA), que definiu apoio à candidatura brasileira para sediar o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos (UIA) de 2020. Para falar sobre o atual contexto da arquitetura africana e a candidatura do Brasil para sediar o Congresso da UIA, o IAB entrevistou o arquiteto e presidente da União Africana de Arquitetos, Tokunbo Omisore, nascido em Londres e criado na Nigéria.

IAB: Como o Sr. descreve a arquitetura africana?

Tokunbo Omisore: A arquitetura africana é indefinida. A influência colonial no nosso continente continua forte, e nossos governantes tentam replicar aqui experiências desenvolvidas em países europeus, sem levar em consideração as diferenças culturais, sociais e políticas dos dois continentes e, em especial, sem considerar os desafios econômicos. Uma questão que ainda não foi resolvida é se a urbanização é o caminho a ser seguido pela África ou se as áreas rurais de nossas cidades refletem a nossa cultura. Será que a promoção da urbanização será do interesse das nossas comunidades e da nossa cultura? Precisamos nos lembrar de uma famosa citação de Shakespeare que diz: “O que é a cidade, senão o povo?”.

IAB: O Sr. poderia identificar semelhanças entre a arquitetura africana e a brasileira? Como elas podem se ajudar mutuamente?

TO: As semelhanças entre a arquitetura brasileira e a africana remontam às origens de como os africanos se tornaram brasileiros, e como estes, depois, também retornaram às costas da África para construir alojamentos brasileiros em grande parte das nossas cidades. A Nigéria tem exemplos típicos de casas brasileiras elegantemente acabadas desde meados de 1800.

Penso que a arquitetura africana e a brasileira podem ajudar uma à outra em futuras pesquisas desenvolvidas a partir dos estudos pré-existentes, com objetivo de promover o uso dos materiais locais. A África também poderia aprender bastante com as pesquisas e com o desenvolvimento industrial brasileiro das últimas décadas.

IAB: Há duas semanas, foi realizado o 2º Fórum Internacional de Arquitetura em Lobito, Angola. Quais foram os principais resultados desse evento?

TO: O evento internacional em Lobito foi um sucesso, e contou com a participação de mais de 20 países membros da União Africana de Arquitetos (UAA). Nele, foi reconhecida a necessidade de crescimento das nossas diferentes comunidades no continente, além de garantir a não extinção da nossa cultura. Constava também na programação do Fórum a realização da 50ª Reunião do Conselho da UAA, que declarou apoio à candidatura brasileira para sediar o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos de 2020, com a adesão dos 40 países membros da UAA que compareceram à reunião.

IAB: Como o UIA Rio 2020 e a experiência brasileira podem contribuir para profissionais de outras nações?

TO: A candidatura brasileira, apoiada pelos outros membros da seção mundial da UIA, vai criar oportunidades para todos, especialmente na erradicação ou redução da pobreza nos países em desenvolvimento. O Brasil, como nação economicamente emergente, representa um modelo para outros países, como os da África, em minha opinião.

IAB: Qual é a expectativa para o Congresso Mundial da UIA em Durban, na África do Sul?

TO: Será a terceira vez, em 66 anos de existência do Congresso, que a África sedia o evento. O Instituto de Arquitetos da África do Sul, que está organizando o evento, é um membro valorizado da UAA, e conta com total apoio da nossa instituição para o Congresso de Durban. Esperamos que o legado da arquitetura africana se torne interessante e seja reconhecido pela comunidade global de arquitetura. O resultado desse congresso será comemorado um ano após a sua realização, no 11º Congresso da UAA, em Kampala, entre 29 de julho e 5 de agosto de 2015.

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