Beltrame, Museu da Maré e Musa são homenageados pelo IAB-RJ

Data: 12/12/2014

Departamento: IAB RJ

Os vencedores da 52ª Premiação Anual do IAB-RJ e do Prêmio Arquiteto do Amanhã foram anunciados na festa mais tradicional da arquitetura do Rio de Janeiro, que aconteceu nesta sexta-feira, 12 de dezembro, na sede do IAB, Casa do Arquiteto Oscar Niemeyer, no Flamengo. O destaque foi o livro “Conversas Ilustradas — Sergio Rodrigues”, de Ivan de Sá Rezende e Lia Siqueira, que recebeu o prêmio especial e também foi o vencedor da categoria produção teórica. O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e o Museu da Maré foram homenageados com o prêmio Personalidade do Ano. Edison Musa foi o Arquiteto do Ano.
 
Um dos idealizadores do projeto da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), Beltrame tem chamado a atenção, entre outras coisas, para o problema da dificuldade de circulação das forças policiais nas comunidades do Rio de Janeiro e alertado sobre a importância da requalificação urbana das favelas.
 
Para a vice-presidente de Relações Socioculturais do IAB-RJ, Cêça Guimaraens, a segurança pública e a requalificação do tecido urbano do Rio de Janeiro são temas importantes para a cidade, e devem ser discutidos conjuntamente. “A homenagem ao secretário José Mariano Beltrame representa essa preocupação, que pensamos ser, em variadas medidas, de cada arquiteto e urbanista e de cada morador do Rio”, afirmou.


 
Em reconhecimento ao importante trabalho desenvolvido pelo Museu da Maré, que corre o risco de ter a sua sede despejada, o Instituto também homenageou o museu com o Prêmio Personalidade do ano. “Esse gesto vem ao encontro da batalha pela permanência e continuidade do trabalho desse pioneiro museu, exemplo a ser seguido na preservação da história de todas as comunidades na cidade do Rio de Janeiro”, justificou Cêça Guimaraens.
 
As homenagens, na avaliação do presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira, fogem dos alinhamentos confortáveis e têm o propósito de alerta a sociedade para a importância da política das UPPs nas favelas cariocas. “O IAB-RJ acredita que a reconquista dos territórios para a normalidade constitucional e a garantia de livre acesso às favelas são valores absolutamente essenciais para a discussão da cidade. As homenagens indicam, ainda, a urgência da aproximação entre favelas, representadas pelo pioneiro e inspirador trabalho realizado pelo Museu da Maré, e o poder público, na figura do idealizador das UPPs, Beltrame. E, não menos importante, as escolhas de Beltrame e do Museu da Maré são estratégicas no sentido de fortalecer a posição do IAB-RJ como agente ativo nas discussões futuras sobre o território das favelas no Rio de Janeiro”, afirmou Pedro da Luz.
 
Segundo o museólogo e um dos fundadores do Museu da Maré Mário Chagas, a homenagem feita a um elemento do poder público, Beltrame, e ao Museu da Maré é um sinal importante que o IAB dá à sociedade do Rio de Janeiro: “É importante que o poder público dialogue com a sociedade civil. O IAB dá um sinal de democratização importantíssima e se firma como um espaço democrático.”
 
Ao comentar as homenagens do IAB-RJ deste ano, Cêça Guimaraens destacou o número considerável de construções de Edison Musa no Rio de Janeiro. “As obras dele imprimem qualidade ao ambiente urbano à medida que têm referências da cultura arquitetônica moderna e contemporânea”, explicou Cêça Guimaraens.

Conversas Ilustradas – Sérgio Rodrigues ganha Prêmio Especial
 
Lançado em dezembro de 2013 pela Editora +2 Produções e Ipsis, o livro “Conversas Ilustradas – Sérgio Rodrigues” foi o grande destaque da 52ª Premiação Anual do IAB-RJ. Com 380 páginas, a obra reúne 100 desenhos inéditos de Sérgio Rodrigues, feitos durante as entrevistas para um documentário que Ivan Rezende e Lia Siqueira pretendem lançar. Escrito em primeira pessoa, o livro é divido em cinco partes – Infância, Família, Arquitetura e Design, Mundo e Rio de Janeiro –, que relacionam a vida de Rodrigues aos acontecimentos históricos do país e aos fatos mais marcantes de sua vida e atuação profissional.
 
“Poucas vezes se alcançou, tão felizmente, um retrato biográfico de alguém, apresentando-o numa encadernação primorosa e com programação visual sutil e elegante. A escolha dos capítulos e a ideia de fazer, ao final, a ‘Árvore da Vida’, num audacioso resumo de registros das celebrações pontuais em cronologia, é a cereja do bolo, que nos obriga a reconhecer nesse documento o mais digno objeto de um prêmio definitivamente justo”, justificou o júri em ata.
 
O projeto do restaurante Kotobuki, também de Ivan de Sá Rezende e das arquitetas Adriana Lima, Ana Cecilia Sant’Anna, Anna Valente, Dominica Falacio e Patricia Gouvêa, foi premiado na categoria arquitetura de interiores, design, e mobiliário urbano. O Edifício Corujas, dos autores Fernando Fortes, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz; e a Casa Daros, de Ernani Freire e Isabel Ballesté, venceram na categoria arquitetura de edificações.
 
O júri da 52ª Premiação Anual do IAB-RJ, composto por Fernando Alencar, Aníbal Coutinho e Manoel Ribeiro, concedeu ainda menção honrosa, na categoria arquitetura de edificações, aos trabalhos Capela GN, de Miguel Antônio Pinto Guimarães; Casa das Acácias, de Mônica Paciello Vieira; e Anexo Falco, de Lia Siqueira.
 
Categoria especial Baía de Guanabara
 
O trabalho “Entre Rio: Propostas de Reestruturação do ciclo das Águas Urbanas de Botafogo”, de Romulo Guina, recebeu menção honrosa na categoria especial Baía de Guanabara. Criada nesta edição da Premiação Anual do IAB-RJ, a categoria teve como objetivo promover reflexões sobre um novo conceito de requalificação urbana da bacia da baía. Os arquitetos Duarte Vaz Guedes e Silva, Elena Geppetti e Pierre-André Martin receberam menção honrosa, na categoria urbanismo e paisagismo, pelo trabalho Fazenda Três Saltos.
 
Prêmio Arquiteto do Amanhã
 
A aluna Adriana Zamith Leal Dalmaso, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-RIO, foi a única premiada no 31º Prêmio Arquiteto do Amanhã. O trabalho “Um novo olhar para arquitetura como infraestrutura”, orientado pelo professor Otávio Leonídio, venceu na categoria urbanismo e paisagismo. Para o júri do prêmio, composto por Ana Petrik, César Jordão e Luis Fernando Valverde, o projeto enfrenta uma questão essencial: projeto e planejamento de infraestrutura.
 
“O trabalho mostra ousadia criativa do autor ao tirar proveito de soluções urbanísticas e paisagísticas. Simultaneamente, ele aborda problemas crônicos de drenagem, acumulados ao longo de sucessivos aterros, de intervenções viárias e de logística de transporte, que fragmentaram a área e a afastaram da orla”, relatou o júri em ata.
 
Dois trabalhos receberam menção honrosa na categoria arquitetura de edificações: “Fábrica de Arte da Mangueira. Articulações entre corpo e Espaço em um Processo de Experimentação Projetual”, de Vitor Cunha Longo Braz, com orientação de Adriana Mattos, da Universidade Federal Fluminense; e “Parque Habitacional Baronesa do Engenho Novo”, de Gustavo Reis Felizardo, aluno da PUC-Rio, que foi orientado por Vera Hazan. Gabriela Folly de Aguiar, estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), recebeu menção honrosa, na categoria Baía de Guanabara, com o trabalho “Cidade Porosa – O Parque de Ramos”. O trabalho foi orientado pela professora Vera Tângari.
 
Contente com o engajamento dos arquitetos na 52ª Premiação Anual do IAB-RJ e do Prêmio Arquiteto do Amanhã, que juntos registraram 81 trabalhos entregues, o presidente do IAB-RJ parabenizou a qualidade dos trabalhos inscritos nas premiações. Na avaliação do arquiteto, os projetos são um retrato do estado da arte da produção arquitetônica do Brasil contemporâneo. Ele também comentou a iniciativa inédita de criar uma categoria especial sobre a Bacia da Baía de Guanabara:
 
“Este ano, trouxemos o tema da Baía de Guanabara para tentar aproximar a questão ambiental à discussão da ocupação do território urbano. Esse debate é muito importante, pois as cidades ocupam apenas 2% do território do planeta e são as principais responsáveis pela degradação do ambiente”, afirmou Pedro da Luz.

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