Tendo em vista as diversas notícias de desvalorização da cultura nordestina ligada aos festejos juninos, o IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), através de seu Grupo de Trabalho Patrimônio e Espaços Livres, vem alertar e externar seu repúdio quanto à descaraterização destas manifestações culturais, reivindicando maior valorização e respeito a elas.

As festas juninas são expressões importantíssimas da cultura popular brasileira que, pouco a pouco, vêm sendo reconhecidas pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. No nordeste, estas festividades se desdobram em diversas matrizes, como o forró, as Cirandas do Nordeste, o Coco-de-roda, os folguedos do Boi, entre outras que, aliadas a outros bens culturais como a literatura de Cordel e os teatros de bonecos as distinguem como manifestações que personificam a identidade cultural desta região.

Se por um lado existe a competição entre cidades pelo “maior” e “melhor” entretenimento de forma a atrair o turismo, seja nas zonas das matas, sertões ou no litoral; por outro lado, a existência de festividades diferenciadas e únicas, que exprimem as fortes tradições e raízes locais, seja pela música (multi-ritmos das matrizes do forró, coco-de-roda, cirandas, por exemplo), seja pelas danças em casais ou em grupos, seja pelos sabores com base no milho e no coco, pelo colorido da indumentária, é justamente o que diferencia os festejos e as cidades que os abrigam e, portanto, deveriam ser destacados e valorizados.

O identitário cultural local vem sendo minimizado por alguns gestores, cujas ações correm o risco de transformar os festejos juninos de algo diferenciado e único em algo homogêneo e pasteurizado em todas as partes do país. Ao negligenciar o que é diferente, o que é único e desterritorializar essas maravilhosas festas, esvaziando-se o seu significado, esta atuação compromete inclusive o seu potencial turístico.

Recentemente em Maceió, na auto-proclamada maior festa de “São João do Litoral”, em um pólo voltado ao Coco-de-Roda, artistas foram removidos do palco e ficaram sem lugar para se apresentar na festa; em Campina Grande, Flávio José – um dos ícones do forró – foi igualmente expulso do palco para dar lugar a um cantor sertanejo; em várias cidades os artistas tradicionais têm se apresentado em pequenos palcos acessórios à ”grande” festa, demonstrando o descaso e a falta de acolhimento do poder público com a cultural local em nome do turismo de massa.

Sejamos únicos! Originais! Valorizemos o que é nosso!