Cassino da Pampulha de Oscar Niemeyer

Autor(es): Carlos Eduardo Comas

Data: 26/09/2016


O Cassino de Niemeyer no lago da Pampulha (1940-42) assenta-se no alto de um promontório. Recepção e jogos ocorrem dentro duma caixa quase quadrada, num salão hipostilo e num mezanino. Danças e espetáculos acontecem no tambor oval sobre colunas, restaurante acima, bar abaixo. O bloco em forma de T à direita da caixa abriga a cozinha, sobre uma doca de carga e duas áreas de serviço. A caixa e o bloco sucedem-se enfrentando a avenida e truncando o promontório. Quase centralizada, a marquise trapezoidal que protege a chegada de carros estende um braço para enquadrar a estátua feminina, uma mão para refletir a projeção do bloco. O tramo de chegada da rua interna alinha coma doca, o de saída com a galeria escavada no lado oposto da caixa. Dotado de uma grande platibanda para esconder o equipamento de palco, o tambor coroa o promontório e domina o lago. Caixa e tambor definem um quadrado de braços quase iguais. Uma expansão da cobertura da caixa cria um pórtico entre eles. Quase tão alto e longo quanto a caixa, o bloco se ergue subordinado meio andar abaixo.

Os três volumes são inteligentemente imbricados. Dentro da caixa, a nave contígua ao bloco inclui uma recepção de pé-direito duplo em frente a uma circulação e uma espinha de serviço em três níveis. Dois metros acima do nível da recepção, uma galeria se estende ao longo de feixa preenchida com banheiros, antecâmaras, acesso à cozinha, escadas de serviço e escritório. A administração fica sobre a faixa. Os camarins estão no nível da doca. Uma escada em espiral estreita ao lado da recepção provê ligação rápida entre salão e galeria. No trecho intermediário, a galeria vira patamar para as rampas entre o salão e o mezanino, correndo retas e paralelos à fachada de entrada. Além da caixa, a galeria se divide em duas rampas curvas à volta do palco, uma delas alargada para ligar a cozinha ao restaurante. O esquema de circulação se completa com uma escada interna, ligando camarins ao palco acima, e uma externa, ligando o restaurante à varanda e ao bar adjacente. 

* Texto publicado, originalmente, na revista Arqtexto, da UFRGS, em 2007.

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Sobre:Carlos Eduardo Comas, arquiteto e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi um dos curadores convidados para a exposição Latin America in Construction: architecture 1955-1980, que esteve em cartaz no MoMA, em Nova York, de 29 de março a 19 de julho de 2015.

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