As relações entre memória e arquitetura foram temas de discussão no último dia do ArquiMemória 4

Autor: IAB-BA Data: 17/05/2013

Departamento: IAB BA

Entre as atividades desta manhã da programação do ArquiMemória 4 – Encontro Internacional sobre Preservação do Patrimônio Edificado, aconteceu a mesa redonda “Memória, arquitetura e cidade”. Com a coordenação de Daniel Paz (UFBA), os participantes apresentaram aspectos dos seus estudos sobre patrimônio e cidade.

A doutora em arquitetura e urbanismo Solange Araújo, que estudou intervenções em praças e largos do centro antigo de Salvador, questiona os modelos de requalificação da cidade, destacando a necessidade de processos públicos para este fim. “Pergunto onde acontece essa discussão. A gente não consegue que a população participe, sinto que a falta de educação social interfere no entendimento das pessoas, que têm um olhar imediatista e voltado aos seus próprios interesses”, analisa.

A arquiteta, que critica alguns modismos, cita como exemplos, o Estádio da Fonte Nova – que foi demolido e retirou da comunidade um complexo esportivo importante, destinado a utilidades mais sociais e menos comerciais; e da Ponte Salvador-Itaparica – que sem avaliação profunda dos impactos da obra, visa apenas reduzir a distância no trajeto para o sul do país.

Coordenando a mesa, Daniel Paz ponderou sobre a noção de arte e valor cultural identitário mais contemporâneo, evidenciando que em sua pesquisa tem encontrado como elemento central o fato de que o patrimônio está totalmente atrelado à ideia de nação.“Não sei de que globalização estou falando, se uma parte considerável dos monumentos que aqui nesse evento se está falando e querendo preservar, foram geradas em ondas sucessivas, tremendamente globais e cosmopolitas, algumas, vamos dizer que assim, como se as pessoas acreditassem que estavam em um pequeno pedaço da Europa, mesmo vivendo em um pedaço da África”, concluiu.

Na discussão, Solange pontuou que segue crítica à introdução de influências externas, de forma arbitrária. “Globalização sempre existiu, é natural usar referências, mas sou contrária que seja feita de forma gratuita. Os elementos devem ser incorporados, mas com alguma lógica, tem que haver um sentido, mas sempre respeitando a especificidade do lugar”, explica a arquiteta, que teve a fala ratificada pelo ex-presidente do IAB, Antonio Carlos Costa. Ele criticou o que chama de “massificação deslavada da cultura arquitetônica”. Completaram a mesa redonda, A.C. Moraes de Castro (IAB-DF) e Irã Taborda Dudeque (IAB-PR).

Promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), através do Departamento da Bahia (IAB-BA), em parceria com a Faculdade de Arquitetura (FAUFBA) e o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (PPG-AU/UFBA), o ArquiMemória 4 reuniu em Salvador pesquisadores, estudantes e profissionais de diversos países e estados brasileiros para discutir as relações entre as cidades e seus patrimônios construídos. O evento se encerra amanhã, sexta-feira (17), no Centro de Convenções da Bahia.

(Foto: mesa redonda “Memória, arquitetura e cidade” - Crédito:​ Ricardo Prado | IAB-BA)

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