Oficina da Cultura do Modelar a Metrópole debate com Jaime Lerner

Data: 22/07/2016

Departamento: IAB RJ

A terceira oficina de cultura Modelar a Metrópole, realizada na quarta-feira, 21 de julho, no Espaço Guiomar Novaes, anexo à Sala Cecília Meireles, na Lapa, reuniu gestores públicos e profissionais de Cultura, que encontraram com membros da Câmara Metropolitana e do consórcio Quanta-Lerner para debater o papel do setor no Plano Estratégico Metropolitano do Rio de Janeiro. Participaram do evento o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, a secretária de Estado de Cultura, Eva Dóris, o diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro, e o secretário executivo do Instituto de Estudos da Religião (Iser), Pedro Strozenberg.

Após a introdução de Strozemberg e um panorama sobre o Modelar a Metrópole feito por Vicente Loureiro, Eva Dóris ressaltou a importância de descentralizar os investimentos: “Não dá mais para pensar o Rio só como capital. São 21 municípios aqui na região, e também os 92 no estado todo. O potencial da Indústria Criativa está em toda a região metropolitana, e a sociedade precisa abrir os olhos para isso. ”

O debate foi orientado por três eixos temáticos: expansão econômica – territórios e arranjos criativos; centralidade e ordenamento territorial; e patrimônio cultura e ambiental. Lerner apresentou resumo do Diagnóstico e Visão de Futuro produzido pelo Plano de Desenvolvimento Urbano Metropolitano do Rio e compartilhou suas experiências com os presentes. Para o arquiteto, o setor cultural atua como importante força transformadora: “o Rio de reinventa sempre na área da Cultura. O Rio é a história, a expressão do Brasil. ”

Lerner defendeu ainda o conceito de “cidade sem periferias”, em que as pessoas encontram trabalho, lazer, educação e serviços perto delas. “Com isso, não há essa necessidade de grandes deslocamentos”, afirmou.

Após a palestra, houve roda de debate com todos os participantes. O presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira, destacou que o planejamento metropolitano precisa olhar para o cotidiano, além de observar a realidade das pessoas. O diretor de teatro e cinema e membro do Conselho Estadual de Política Cultural, Reinaldo Santana, ressaltou que a classe artística nas periferias é um segmento social de baixa renda e defendeu a necessidade de “preservar as paisagens africanizadas do Rio”.

O cineasta Rodrigo Felha, nascido e criado na Cidade de Deus, falou sobre a percepção da população da Cultura, e de como o Plano pode incentivar esta mudança: “A arte ainda é vista como diversão, não como ocupação, profissão. ” O diretor de teatro Amir Haddad destacou a arte como obra pública feita pelo particular. “Isso pressupõe uma mudança radical na maneira de ver a cidade. A arte pública é uma concepção carioca, não acontece em outro lugar como aqui”, afirmou Haddad.

Ao final, Vicente Loureiro acrescentou que “A metrópole é cidade-mãe, precisa cuidar dos seus filhos. Temos os robustos e os abandonados. E esse plano vem para tratar dessa desigualdade.” Jaime Lerner agradeceu a todos pela participação e encerrou: “Não podemos ficar frustrados com um sonho não realizado. Se nós nos dedicarmos a ele com profundidade, um dia este sonho vai te cutucar pedindo uma segunda oportunidade. Acho que vocês não vão deixar essa oportunidade passar”, completou.

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