“Oferta de transporte de massa está aquém das necessidades”, diz O Globo

Data: 24/08/2015

Departamento: IAB RJ

O Globo publicou, no domingo, 23 de agosto, editorial em defesa da requalificação dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro. O jornal diz que a aposta no sistema rodoviário é equivocada e defende a transformação dos trens em metrôs.
 
Clique aqui para ler o editorial “Soluções para os trens não podem mais esperar”
 
“A oferta de transporte de massa está aquém das necessidades, e as soluções não são novidades mirabolantes.  O Grande Rio já dispõe de uma malha ferroviária de 270 quilômetros – com 102 estações e oito ramais – que abrange 12 municípios. Recuperada, pode servir com eficiência a muito mais passageiros”, diz o jornal.
 
A transformação dos trens do Rio em metrôs é uma reivindicação antiga do IAB. Em diversas ocasiões, o Instituto alertou sobre o dramático sucateamento da rede ferroviária que cobre a Zona Norte e a Região Metropolitana, que emperra o desenvolvimento econômico local.
 
“Não estamos tratando de uma cidadezinha qualquer. São milhões de pessoas, que estão num processo de degradação social por conta dos investimentos equivocados ou inexistentes numa questão central como a mobilidade urbana”, afirmou Sérgio Magalhães na quinta edição do Osterio 2013, evento que contou com a participação do então subsecretário de Urbanismo Regional e Metropolitano da Secretaria de Estado de Obras, Vicente Loureiro.
 
Leia, abaixo, parte do editorial.
 

Soluções para os trens não podem mais esperar

 
O desconforto, o descaso e a violência a que são submetidos os 670 mil passageiros diários nos trens da Região Metropolitana — denunciados na reportagem do GLOBO de domingo passado “O mundo e o submundo dos trilhos do Rio” — são resultado de um mal crônico que assola o país: a falta de planejamento e investimento efetivo em transporte sobre trilhos. A doença é antiga, mas, por sua gravidade, a busca de soluções não pode mais esperar. Questões financeiras à parte.
 
De olho nas Olimpíadas, a cidade aposta nos BRTs, com a Transoeste e a Transcarioca, como alternativa para melhorar a circulação. A mobilidade urbana está na agenda. Os corredores exclusivos de ônibus, no entanto, têm alcance limitado. A oferta de transporte de massa está aquém das necessidades, e a solução não são novidades mirabolantes. O Grande Rio já dispõe de uma malha ferroviária de 270 quilômetros —com 102 estações e oito ramais — que abrange 12 municípios. Recuperada, pode servir com eficiência a muito mais passageiros. São trilhos, dormentes e plataformas implantados com custo para o contribuinte, da mesma forma que a infraestrutura nos bairros ao longo das estações.
 
Tamanho investimento, de mais de um século, passou a ser desprezado no momento em que as administrações da cidade optaram pela expansão rumo à Zona Oeste, especialmente Barra e Jacarepaguá. Mais barato seria recuperar áreas degradadas, mas urbanizadas, em vez de começar do zero. E não se pode falar em revitalização de bairro algum sem sistema de transporte rápido e com um mínimo de conforto. Até porque, a impossibilidade de ir e voltar do trabalho em condições pelo menos razoáveis é um incentivo à formação de favelas em áreas perto do Centro, mas sem condição de moradia. Condena-se, assim, a cidade à degradação, já que remoção é tabu e a permanência das ditas comunidades tem apoio de políticos populistas.

(Imagem: Estação de Madureira. Créditos: Quintinense/Wikimedia Commons)

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