IAB manifesta-se contra declarações de Alvim

Data: 17/01/2020

Departamento: Nacional

O Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB vem manifestar seu total repúdio às declarações do Secretário Especial de Cultura do Ministério da Cidadania, Roberto Alvim, apresentadas a público em vídeo institucional, em canal oficial, e de forma produzida e premeditada, para lançamento do Prêmio Nacional das Artes.

Na ocasião, seu discurso ecoa, e em alguns trechos copia, frases pronunciadas por Joseph Goebbels, membro destacado e tido por muitos historiadores como o número 2 do regime nazista de Adolf Hitler.

A tragédia anunciada em seu discurso de ódio rememora as primeiras décadas do século XX em que nacionalismos exacerbados por regimes de exceção eram falsamente forjados às custas de vidas e de grande idealização racista sobre o que seria a “identidade nacional”. Tal movimento, já vivenciado inclusive no Brasil, é arcaico, superado e incongruente com os valores pactuados historicamente pela democracia brasileira a partir da Constituição Federal de 1988: os valores culturais de valorização da diversidade material e imaterial das artes brasileiras e seus intercâmbios; os valores democráticos e de participação da população nas escolhas de seus rumos e suas políticas; além daqueles valores de defesa da cultura e da competência técnica e artística. Estes não serão alcançados pelo cerceamento ideológico advindo da burocracia estatal sem os currículos, decoro e competências exigidas, mas, ao contrário, pela valorização do diálogo e constituição de políticas públicas consequentes e abrangentes.

Além disso, salta aos olhos a simploriedade como vêm sendo tratadas as políticas públicas para a cultura e demais áreas de um governo sem programa claro de desenvolvimento em sentido amplo do país. Para além das inomináveis expressões e citações nazistas do seu pronunciamento, há delírios de grandeza que imaginam poder refundar e realinhar toda a cultura do país por meio de uma ação episódica, com investimento pífio para a escala nacional, o que não alcança e não constitui política pública que reforce talvez o nosso único traço verdadeiramente identitário: a diversidade e a pluralidade.

Não obstante a decisão do Governo Federal de exonerar do comando da cultura do país o autor do citado pronunciamento, o IAB reitera suas constantes manifestações acerca da necessária retomada e reconstrução das políticas públicas para a cultura brasileira e do respeito às instituições que a promovem, exigindo que os cargos vinculados ao campo da cultura, no Governo Federal, sejam preenchidos por pessoas devidamente qualificadas para exercê-los. 

Neste sentido, solicitamos que sejam revertidas as nomeações de pessoas sem a adequada preparação para os cargos de direção das instituições vinculadas à Secretaria de Cultura, e que sempre se observe, ao contrário das recentes nomeações, a experiência comprovada a cargos que demandam expresso conhecimento da área de atuação da instituição, como no caso da Presidência do IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, instituição com 83 anos de serviços prestados na salvaguarda dos bens culturais brasileiros, reconhecida internacionalmente.
 

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