Gestão não compartilhada é desafio aos corredores verdes no Rio

Data: 28/06/2016

Departamento: IAB RJ

O paisagista Pierre-André Martin criticou, na segunda-feira, 27 de junho, o modelo de gestão da Prefeitura do Rio de Janeiro na apresentação do projeto “Corredores Verdes Urbanos” na sede do IAB-RJ, no Flamengo. “Uma equipe faz o projeto, outra licita, contrata-se a empresa e quem vai manter a área, muitas vezes, nem consulta o projeto. Isso leva à desconexão”, explicou. Participaram do evento a coordenadora do projeto, a geógrafa Silma Maria, e o arquiteto Rodrigo Rinaldi de Mattos.

O paisagista apresentou mapeamento, com cerca de 20 entidades, entre municipais e estaduais, que atuam nos Corredores Verdes. Três órgãos, por exemplo, estão diretamente envolvidos na questão da água: a distribuição é de competência da CEDAE, os corpos hídricos (canais, rios e lagos) são do INEA (SEA) e a drenagem é de responsabilidade do Rio Águas (SMO). “Será que todos esses órgão estão cientes dos Corredores Verdes?”, questionou.

A gestão não compartilhada é um dos problemas detectados pelo diagnóstico do projeto piloto para Marapendi, Chico Mendes e Prainha. Silma Maria cita ainda a existência de aterros em áreas alagadas e manguezais, a remoção de vegetação e lacunas na arborização urbana pela poda ou plantio irregular; o despejo de resíduos da construção civil, esgoto e lixo; a fiscalização precária e outros. “Algumas pessoas pensam que qualquer área de mata é local para o despejo de dejetos. Outras, com nível técnico alto, acham que alagadiços é algo desprezível e só gera mosquito”, lamentou Silma.

Ao falar sobre o projeto do Corredor Verde do Recreio, Martin defendeu o meio ambiente como um insumo importante para o urbanismo. “A sociedade precisa enxergar a cidade com outros olhos. A Barra da Tijuca e a Baixada de Jacarepaguá apresentam potenciais incríveis. Vejam a rede de circulação que os corredores oferecem. Vejo ciclovias, passeios e áreas para hortas”, afirmou Pierre.

o apresentar experiências de projetos desenvolvidos na cidade, Rodrigo de Mattos defendeu uma boa cidade como aquela que consegue conjugar fatores como mobilidade, diversidade, acessibilidade, equilíbrio, centralidade e adensamento, vitalidade e responsabilidade ambiental. “Ao trabalhar no ambiente urbano, costumamos nos basear no tripé: ambiental, urbanístico e econômico. Esses fatores são que darão suporte ao projeto”, explicou.

Os corredores verdes no Rio surgiram com o objetivo de reconectar as unidades de conservação da cidade. De acordo com Silma Maria, a proposta é ligar os parques naturais municipais de Marapendi, Chico Mendes e Prainha. “Além de manter a conectividade dessas áreas proteção, o projeto visa também a conservação da biodiversidade e a promoção da melhora da qualidade de vida da população”, disse.

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