"Eixo Olímpíco" de trens não está preparado para a Olimpíada

Data: 22/07/2016

Departamento: IAB RJ

A SuperVia entregou, na quarta-feira, 13 de julho, a Estação Olímpica Ferroviária de Engenho de Dentro. As obras de modernização fazem parte do pacote para a Rio 2016, que inclui a reforma de outras cinco estações: São Cristóvão, Deodoro, Ricardo de Albuquerque, Magalhães Bastos e Vila Militar. O investimento total é de R$ 250 milhões, segundo a concessionária. O IAB  RJ percorreu, na quarta-feira, dia 14, as 22 estações que integram o eixo olímpico Deodoro-Engenhão-Maracanã-Sambódromo. A situação observada é preocupante, apesar de melhorias pontuais.

O eixo olímpico Deodoro-Engenhão-Maracanã-Sambódromo será o de maior demanda de público durante a Rio 2016. Matéria assinada pela repórter Selma Schmidt, publicada pelo O Globo, no dia 2 de julho, aponta uma expectativa de 426.752 pessoas se deslocando por esse eixo no dia 16 de agosto. Para os dias 12 – quando haverá finais de natação no Estádio Aquático, na Barra –, e 17 de agosto, com atletismo e semifinal de futebol masculino, são esperadas mais de 400 mil pessoas usando o transporte público. (clique aqui para ler a matéria)

Nas estações Riachuelo, Sampaio, Engenho Novo, Silvia Freire, Piedade, Quintino, Cascadura, Oswaldo Cruz, Prefeito Bento Ribeiro e Marechal Hermes não existe acessibilidade, as plataformas não protegem do sol e da chuva, são mal iluminadas, os ambientes insalubres e não oferecem segurança aos usuários do sistema de trens. Nas estações São Francisco Xavier, Mangueira e Méier, as escadas rolantes estão paradas e muitas em péssimo estado de conservação.

A Estação Engenho de Dentro, sim, atende às expectativas de um equipamento para servir à população. As obras de melhorias contemplaram a reforma do mezanino antigo com acessibilidade plena e a construção de um novo; instalação de elevadores que levam às plataformas; construção de rampas de acesso, entre outras.

Apesar das estações Magalhães Bastos e Vila Militar terem sido entregues em fevereiro, as obras continuam. Nos dois locais há elevadores e rampas de acesso. Porém, as estações continuam sem proteger contra chuva e sol. Na Vila Militar, o usuário é obrigado a cruzar o corredor do BRT Transolímpico para chegar à estação.

O presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira, destacou que todas as estações receberam placas indicativas novas, onde se lê a expressão trilíngue “estação / station / estación” junto ao nome da mesma. “Para 16 das 22 estações do ‘eixo olímpico’ talvez seja o único legado dos Jogos. Mas certamente é um indicativo de que os responsáveis pelos trens reconhecem que por ali passarão pessoas de todo o mundo, não apenas no período dos Jogos Olímpicos, mas também no futuro”, afirmou Pedro da Luz.

O presidente do IAB, arquiteto Sérgio Magalhães, comentou o que considera uma inversão de prioridades. “Por um valor ínfimo do dispendido no prolongamento da Linha 1 do metrô (talvez nem 10%), o governo do estado traria à contemporaneidade o eixo da Central, com estações confortáveis e trens circulando em intervalos pequenos, tal metrô das grandes cidades. ” (clique aqui para ler a íntegra do artigo publicado pelo jornal O Globo).

Coincidentemente, no mesmo dia, e no mesmo jornal, o governador em exercício, Francisco Dornelles, defendia o prolongamento da Linha 1 (dita Linha 4) como investimento prioritário e inadiável. (clique aqui para ler a íntegra do artigo)

Confira, abaixo, alguns registros fotográficos feitos nas estações visitadas.

Acesso a estação São Francisco Xavier. Escadas rolantes.


Acesso a estação Sampaio. Para os Jogos, a placa diz: “Estação/station/estación Sampaio”


Acesso a estação Engenho Novo


Acesso típico com escada equivalente a 3 andares. Estação Marechal Hermes


Estação reformada Vila Militar. Passageiros continuam ao sol e à chuva.

 

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