COSU homenageia Luiz Paulo Conde

Data: 04/08/2015

Departamento: Nacional

A 148ª Reunião do Conselho Superior do IAB (COSU), que homenageou o centenário do arquiteto Vilanova Artigas, também reverenciou o ex-presidente do IAB-RJ e ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde. O arquiteto morreu na madrugada do dia 21 de julho, aos 80 anos. O COSU aconteceu em São Paulo de 29 de julho a 1º de agosto.

Para a arquiteta Cêça Guimaraens, uma das responsáveis pela homenagem, Conde foi um profissional e colega muito especial no Rio de Janeiro, tanto na condição de professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, como no IAB. “Conde nos estimulou a abrir a visão do que é arquitetura, do que é a cidade e do que é a favela”, afirmou.

Ex-aluno de Conde, Demetre Anastassakis disse que o arquiteto foi o verdadeiro responsável pela democracia existente hoje no IAB-RJ. “Ele promoveu e lutou por essa democracia. Na sua gestão, Conde abrigou grupos dissidentes. Independentemente da vida política, acho que esse fato merece ser registrado”, defendeu Anastassakis.

Demetre Anastassakis lembrou também de uma conversa que teve com Conde sobre o conjunto que desenvolveu na Maré, em frente ao Fundão:

“Ele me ligou e disse: 'Garoto (forma como chamava alguns ex-alunos), sabe aquele negócio que você faz de arquitetura de pobre, meio labiríntico? Eu não gosto, mas o Banco Mundial gosta, o povo gosta, e vocês fazem brilhantemente. Querem fazer projeto com a gente?'. Não vou esquecer essa atitude de desprendimento nunca na minha vida.”

O presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz Moreira, também foi um dos ex-alunos de Luiz Paulo Conde. Foi o ex-prefeito do Rio quem alertou Pedro de que arquitetura não eram só imagens que a pessoa pode coletar e reproduzir em contextos sociais diferentes, mas que nascia de um sistema tecnológico implantado e de uma cultura que perpassa a sociedade como um todo. “Conde dizia que é papel do arquiteto entender essa linguagem e tentar dar a sua visão. Achei esse toque, ainda garoto, valioso para mim”, relembrou.

O diretor executivo da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro, também falou algumas palavras sobre Conde:

“Além de Lúcio Costa, três figuras me parecem significativas na difusão do urbanismo no Brasil: Jaime Lerner, Jorge Wilheim e Luiz Paulo Conde. Digo isso porque virei secretário municipal de urbanismo de Nova Iguaçu um pouquinho depois que Luiz Paulo Conde virou secretário municipal de urbanismo do Rio. Não tenho dúvidas de que ele deu ao urbanismo um destaque que jamais havia tido no país. Conde conseguiu separar o urbanismo das secretarias de planejamento e obra. Daí em diante, várias secretarias de urbanismo ganharam corpo."

Apesar de pertencer ao grupo que fazia oposição a Conde, o arquiteto Antônio Carlos Campelo da Costa, do Ceará, diz que aprendeu a admirar o colega como profissional e como homem:

“Eu passei a gostar do Conde, apesar de sermos da oposição. Conde tinha um grupo do Rio, eram os Conde boys. Mesmo quando ele não estava mais no COSU, tinha um grupo que representava o pensamento dele. Eu tinha uma admiração por ele como profissional e como homem. Essas questões que aparentemente nos desunem, ideológicas ou não, elas se resolvem também no plano do afeto. Tivemos uma discussão em Florianópolis, em Santa Catarina, num frio de rachar, e o chamei de caudilho. Quase que a gente se atracou. Depois, flagraram-nos cantando música de Vinícius de Moraes na praia.”

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Comentários (01)

Uma homenagem muito justa. Feliz com a iniciativa dos professores queridos, Dra Ceça Guimarães e Demetre Anastassakis e outros.

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