Colóquio debate a paisagem da Baía de Guanabara e a relação com a Maré

Data: 27/08/2015

Departamento: IAB RJ

O futuro da Baía de Guanabara é fechar, tornar-se um lago e, no pior dos casos, secar. O depoimento é da bióloga e professora do curso de geografia da UFF Rita Montezuma, que participou na manhã de quarta-feira, 26 de agosto, do segundo seminário do ciclo “Baía de Guanabara: patrimônio metropolitano”, no prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ. O evento contou também com a apresentação de Antônio Vieira, um dos fundadores do Museu da Maré.

“Pelas imagens de satélite, percebem-se porções, no sentido sudoeste-nordeste, parecidas com a Baía de Guanabara, mas fechadas. Essas porções são os lagos. Há um conjunto, formado pelas Regiões dos Lagos (Araruama, Saquarema, Búzios e outras cidades) que teve formação similar à baia, o que nos dá indícios do seu futuro geológico”, explicou Rita Montezuma, que, no entanto, alertou que, devido ao uso que se dá à baía, o processo de transformação pode ser bem menor que o esperado.

Rita criticou o conjunto de transformações que ocorreu nas áreas de influência da baía e, principalmente, a instalação de indústrias em locais inadequados. “Indicadores do Inea mostram que a situação dos rios que ficam no entorno da baía ou é péssima ou ruim. O que existe de reserva natural, ecossistemas remanescentes, está sendo preservado na forma de unidade de conservação e isoladamente.”

A segunda parte das discussões foi dedicada à relação entre a comunidade da Maré e a Baía de Guanabara. Segundo Antônio Vieira, a convivência é paradoxal. Ao mesmo tempo em que o local é tido como espaço onde as pessoas têm acesso à moradia, viver naquela região é um desafio por causa da variação da maré.

“Falar sobre a Maré no contexto da Baía de Guanabara é instigante. A favela também sempre trouxe um estigma, pois a cidade sempre teve dificuldade de se relacionar com esse modelo de ocupação. A Maré surgiu na década de 1940, e o elemento propulsor dessa ocupação foi a construção da Avenida Brasil”, explicou Vieira.

Atualmente, o complexo da Maré tem 140 mil habitantes, dezesseis comunidades e 32 mil domicílios. O desenvolvimento do local também é atrelado às transformações que aconteceram nas ilhas do Fundão.

“A Ilha do Fundão não era como observamos hoje. Na verdade, existiam oito ilhas. Eles aterraram boa parte com lixo. As atividades industriais e a proximidade com a refinaria de Manguinhos contribuíram para acelerar o processo de degradação. Esse processo contribuiu também para o crescimento da Maré”, explicou Vieira.

O seminário “Baía de Guanabara: patrimônio metropolitano” continua nesta quinta-feira. Os próximos palestrantes são Pedro da Luz Moreira, presidente do IAB-RJ; Leonardo Marques de Mesentier, professor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF; Bruno Tropia, professor da Estácio; e Maria Ângela Dias, professora da UFRJ. O evento acontece no prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ a partir das 10h.




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