Carlos Roberto Osório: “Será possível reduzir em cerca de um terço a frota de ônibus da cidade” | IAB Brasil

Carlos Roberto Osório: “Será possível reduzir em cerca de um terço a frota de ônibus da cidade”

Data: 09/09/2013

Departamento: IAB RJ

Carlos Roberto Osorio, atual secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, é o entrevistado desta semana na seção “5 perguntas”, do site do IAB. Osório, que já ocupou os cargos de secretário de Conservação e Serviços Públicos e de secretário-geral do Comitê Organizador dos Jogos de 2016, tem agora pela frente o enorme desafio de transformar a mobilidade urbana da cidade.
 
Na entrevista, o secretário apresentou a meta de chegar até 2016 com mais de 60% das viagens em transportes de alta capacidade, graças aos investimentos em BRT e metrô. “Será possível reduzir em cerca de um terço a frota de ônibus da cidade, tirando das ruas aproximadamente três mil coletivos.” Leia a entrevista:
 
A entrevista integra a série de publicações que discutirão o Manifesto do IAB, publicado recentemente, por ocasião do início da manifestação das ruas. O documento (clique aqui para ver o link) discute e a apresenta propostas objetivas em mobilidade, planejamento, habitação, transparência e projeto.
 
 
1) A mobilidade de grandes metrópoles, como o Rio, está sendo estudada de modo estanque, isolado, sem interdependência. Falta planejamento?
Osório: A meta que recebemos do prefeito Eduardo Paes é levar o transporte publico no Rio a um novo patamar. Hoje menos de 20% das viagens na cidade são feitas por meio de transportes públicos de alta capacidade. Nossa meta é chegar a 2016 com mais de 60 % das viagens em transportes de alta capacidade. Ou seja, BRTs, trens e metrô. A mobilidade urbana é o maior desafio que as mega cidades enfrentam no século 21. Este tema é particularmente complexo no Rio de Janeiro, devido as nossas características geográficas e à falta de investimentos em infraestrutura de transportes nas últimas décadas. Para vencermos o desafio da mobilidade precisaremos obrigatoriamente oferecer ao carioca transporte público de massa com qualidade, para assim, podemos dar início à mudança de comportamento no que diz respeito aos hábitos de deslocamento dos nossos cidadãos.  Cada vez mais será necessário substituir o uso de transporte individual pelo transporte público, integrando os modais. A grande aposta do Rio como alternativa de transporte de alta capacidade é o sistema de BRT que, atualmente, já transporta mais de 120 mil pessoas diariamente. Vamos implantar, até 2016, quatro grandes corredores de BRTs, atendendo a todas as regiões da cidade e interligando este novo sistema com a rede de metrô e trem. 
  
2) O senhor acha viável, no atual cenário das metrópoles brasileiras, a implantação de sistemas de mobilidade metropolitanos? É possível conciliar ações de Estado com as políticas locais que determinam intervenções públicas em cada município?
Osório: A integração é necessária e importante do ponto de vista metropolitano, mas hoje não temos um mecanismo ou uma governança de integração entre os municípios. Este seria uma ação importante do Governo do Estado e a prefeitura do Rio está à disposição para discutir sobre projetos de mobilidade que integrem também outras cidades.

3) O planejamento precisa de recursos. O senhor é favorável a um Fundo Financiador de Estudos de Mobilidade? Por quê?
Osório:  É importante incentivar o planejamento, soluções integradas e de racionalização dos transportes como redução dos tempos de deslocamento nos grandes centros urbanos.
 
4) Para garantir políticas de mobilidade associadas a sistemas de planejamento permanentes, o IAB propõe condicionar investimentos públicos na área à existência de Planos Urbanos e Metropolitanos de Mobilidade. O senhor é favorável à medida?
Osório: O estudo da mobilidade é umas das pautas principais das grandes cidades. Somos sempre favoráveis à condução de pesquisas, buscando soluções integradas que melhorem a qualidade de vida da população e o ordenamento do espaço público, visando maior eficiência na movimentação dos indivíduos.
 
5) Qual é a avaliação que o senhor faz dos sistemas de transporte público de alto rendimento nas metrópoles brasileiras e, em particular, no Rio?
Osório: Com a implantação do sistema, em 2016, será possível reduzir em cerca de um terço a frota de ônibus da cidade, tirando das ruas aproximadamente três mil coletivos das nossas vias. Além disso, teremos significativas reduções no tempo de deslocamento, oferecendo melhor serviço e qualidade de vida aos cidadãos de todas as regiões da cidade. A Transoeste já é um exemplo disso, garantindo deslocamento de Santa Cruz à Barra da Tijuca em menos da metade do tempo que das antigas linhas de ônibus convencionais. O sistema de BRT está garantindo maior velocidade no transporte coletivo com redução de tempo de ate 40% nos grandes corredores, além de um melhor ordenamento viário nos trechos onde foi implantado.

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