Bruno Carvalho: “sem calçadas nossas cidades são mais pobres”

Autor: O Globo Data: 24/08/2016

Departamento: Nacional

A seção “Conte algo que não sei”, do jornal O Globo, publicou nesta quarta-feira, 24 de agosto, entrevista com o carioca radicado nos EUA Bruno Carvalho, autor dos livros sobre a História do Rio e pesquisador na área de urbanismo.
 
Clique aqui para ler a íntegra da entrevista no site do O Globo
 
"Nasci no Rio, em 1981. Minha formação acadêmica foi quase toda nos EUA, mas nunca perdi o contato com as coisas daqui. Minha formação intelectual é muito mais brasileira. Dou aulas de Letras e Urbanismo na Universidade de Princeton. Parece uma combinação inusitada, mas para mim passou a fazer muito sentido."
 
Conte algo que não sei.
 
Sempre fui vidrado em cidades e poesia. Estudando o Rio das décadas de 1920 e 1930 e as transformações mais ou menos globais daquela época, comecei a perceber que, em retrospecto, com frequência os poetas tinham uma percepção muito mais precisa de como as cidades funcionavam do que as abordagens tecnocráticas. Na década de 30, Manuel Bandeira estava atento à vida das calçadas e ao comércio informal, que chamamos de camelôs. Coisas que passavam ao largo de engenheiros do Plano Agache. A lição aí é: mesmo que não seja verdade, a partir de certas perspectivas quantitativas, sem calçadas nossas cidades são mais pobres. Bandeira, em certo sentido, percebeu isso quando a tendência do planejamento ia no sentido oposto.
 
E hoje, que tendência segue a urbanização na cidade?
 
Há uma percepção generalizada de que a urbanização constituiu, em países africanos e asiáticos, uma das maiores ameaças ao meio ambiente. Na verdade, uma ameaça muito mais grave é a suburbanização de populações já urbanas, em países como China e Índia, no modelo americano, espraiado. Isso tem a ver com a ideia de trazer as pessoas para o Centro e aumentar a densidade de áreas que já têm estrutura de mobilidade, em vez de esticar a mobilidade a áreas distantes. As pessoas que moram em cidades se mudarem para lugares distantes, como nos EUA, é uma ameaça muito maior do que as que moram em áreas rurais irem para as cidades.

(Foto: "Uma cidade compacta é uma cidade mais verde", diz Bruno Carvalho - Bárbara Lopes / Agência O Globo)

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