Arquitetura como instrumento de inclusão social e urbanização das favelas

Autor: Assessoria de Imprensa do XX CBA Data: 13/03/2014

Departamento: IAB CE

O debate sobre urbanização de favelas é um assunto novo para a sociedade brasileira. Até os anos 60, por exemplo, essas ocupações irregulares eram simplesmente removidas. Por volta dos anos 80, surgiram programas de governo para intervir nas localidades, porém em questões isoladas, como é o caso da instalação de redes de saneamento básico. Hoje, contudo, o que se discute é que, além de moradia e serviços básicos de infraestrutura, é possível promover qualidade de vida e inclusão social às comunidades periféricas. O caminho é através da criação de espaços e equipamentos públicos de qualidade, mantendo, sempre que possível, a comunidade em seu lugar de origem.

Sem condição de moradia digna, o que resta para boa parte da população é migrar para as periferias. Os territórios ocupados, geralmente, são beiras de córregos, áreas de risco e terrenos de propriedade pública. Com a apatia dos governantes nesse processo, o que vem à tona é a perda de espaços de convívio público e de troca de relações sociais da cidade. A reboque, uma série de problemas sociais que assombram a sociedade contemporânea, como a violência urbana.

Enquanto isso, as áreas de favelas são ocupações caracterizadas pela alta densidade demográfica e espacial, assim como por suas estruturações precárias. Com espaços cada vez mais escassos, a tendência é que se intensifiquem a verticalização e a insalubridade das construções, impactando também nas vidas das comunidades, ao interferir diretamente em suas organizações sociais. 

Cidades contemporâneas

Essa problemática, entretanto, não é uma realidade exclusivamente brasileira. Cidades como Mumbai (Índia), Roma (Itália), Medellín (Colômbia), Moscou (Rússia), Nairobi (Quênia), e Bagdá (Iraque) já foram alvos de estudos comparativos, no que diz respeito a esse tipo de ocupação. A capital colombiana, por exemplo, tem recebido diversas intervenções para transformar o cenário caótico de suas favelas. Assim, vem conseguindo promover inclusão social, aliada a uma arquitetura vanguardista.  

Iniciado há menos de uma década, o projeto de transformação urbana de Medellin, hoje, compõe um cenário que agrega teleféricos, colégios e bibliotecas públicas de alta qualidade no meio das favelas. No bairro Santo Domingo Savio, por exemplo, fica a Biblioteca Parque Espanha de Medelin, projetada pelo escritório colombiano Giancarlo Mazzanti, especializado em obras de impacto social.

Diretor de Concursos e Projeto Conceitual na Equipe Mazzanti, o arquiteto colombiano Carlos Medellin estará em Fortaleza, palestrando no XX Congresso Brasileiro de Arquitetos – que acontece entre 22 e 25 de abril – sobre a arquitetura como elemento de inclusão social.

“Há muitas semelhanças nas grandes cidades da Colômbia e do Brasil, especialmente quando se trata de crescimento descontrolado, desigualdade social, falta de planejamento urbano e favelas. Ambos os contextos têm muito a aprender um com o outro. O mais interessante seria abrir a discussão para a complexidade do que é a cidade latino-americana contemporânea para discutir possíveis visões de como entender, analisar e encontrar alternativas, através da abordagem da arquitetura e desenho em geral”, adianta.

Serviço
XX Congresso Brasileiro de Arquitetos
Quando: De 22 a 25 de abril de 2014
Onde: Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 1117, Edson Queiroz, Fortaleza, CE).
Inscrições: Preços especiais para estudantes, sócios do IAB e profissionais. Podem ser efetuadas individualmente ou em grupo, antecipadas (pelo site) ou realizadas no dia do evento, conforme preços pré-estabelecidos.
Informações: Preços, programação, feira e palestrantes convidados no site www.xxcba.com.br
Dúvidas: contato@xxcba.com.br

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