ABAP cobra divulgação das ações de recuperação de Mariana | IAB Brasil

ABAP cobra divulgação das ações de recuperação de Mariana

Data: 05/02/2016

Departamento: Nacional

A Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP) divulgou, no dia 6 de janeiro, carta pronunciamento cobrando a divulgação das ações de contenção e de reparação dos danos socioambientais causados pelo rompimento da barragem de rejeitos do Fundão, no Distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana.

“Passados 60 dias da tragédia, o número de vítimas ainda não foi definido oficialmente. As causas do acidente não foram identificadas e as medidas de resposta imediata ao desastre continuam insuficientes”, diz trecho da carta.

Leia, abaixo, a íntegra da carta divulgada pela ABAP, ou clique aqui para fazer o download do documento.


A tragédia de Mariana


O rompimento da barragem de rejeitos do Fundão, no Distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, Minas Gerais, deixou um rastro de 700 km de lama até o litoral do Espírito Santo. Corpos foram encontrados até 100 km de distância da barragem. Segundo o IBAMA, foram despejados no Rio Doce cerca de 50 milhões de metros cúbicos de lama.

Qual a real extensão do dano socioambiental e paisagístico causado pelo rompimento da barragem de rejeitos da produção de minério de ferro da mineradora Samarco em 5 de novembro de 2015?

A destruição do Rio Doce e dos ecossistemas associados, da paisagem e do patrimônio natural e sociocultural da sua bacia, da fauna fluvial e da flora às margens do rio e o gravíssimo comprometimento do abastecimento de água e das atividades pesqueiras e turísticas na região por ele atravessada foram algumas das consequências desta catástrofe socioambiental sem precedentes no Brasil.

Passados 60 dias da tragédia, o número de vítimas ainda não foi definido oficialmente. As causas do acidente não foram identificadas e as medidas de resposta imediata ao desastre continuam insuficientes. As barreiras de contenção flutuantes foram insuficientes para impedir a mancha de lama no litoral do Espírito Santo. O plano de emergência apresentado no processo de licenciamento não previu um impacto desta magnitude em caso de rompimento da barragem. E nada se comentou sobre a reabilitação de toda a região atingida.

Diante desse quadro desolador, a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas – ABAP vem a público reivindicar a divulgação das ações para contenção e reparação dos danos socioambientais, bem como para a recuperação do patrimônio natural e cultural da região realizadas até o momento, dos resultados do monitoramento da qualidade da água após a tragédia, da definição das compensações ambientais pactuadas com a população afetada, de uma política de reassentamento para os desabrigados, e finalmente, da elaboração de um plano de recuperação da paisagem da Bacia do Rio Doce.

 
 

São Paulo, 6 de janeiro de 2016.

Jacobina Albu Vaisman
Arquiteta, urbanista e paisagista
Presidente da ABAP

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